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EVANGELIZAÇÃO E LITURGIA |> Jornadas de Formação do Clero | 2015

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O clero da Diocese de Lamego viveu dois dias de formação, 3 e 4 de fevereiro. O encontro realizou-se na Casa de Retiros de São José, em Lamego, e contou com cerca de 40 sacerdotes, oscilando em conformidade com os dias, as horas e a disponibilidade. 

Depois da oração, nos dois dias, o reverendo Pró Vigário Geral, Pe. João Carlos, apresentou os conferentes: Pe. Jorge Santos, da Diocese de Coimbra, pároco de São João Batista, paróquia criada em 2010, e Vigário Episcopal para a Pastoral, e que veio falar-nos das Células Paroquiais de Evangelização (CPE); Frei Bernardino da Costa, OSB, Abade de Singeverga, convidado para continuar o trabalho do ano anterior, prosseguindo com a temática litúrgica.

Dinâmica missionária do Plano Pastoral

Ide e construí com mais amor a família de Deus. D. António Couto propôs que a Diocese de Lamego vivesse em dinâmica missionária.

Ao Clero de Aveiro, em formação também nestes dias, D. António Couto, um dos oradores, partindo da Evangelii Gaudium, apontou a necessidade da Igreja, toda a Igreja ser missionária, Igreja em saída, em que «o primeiro anúncio é o elemento fundamental de toda a pastoral» e em que «a dimensão missionária tem que ser o horizonte permanente da ação da Igreja». As paróquias hão de ser «casas de portas abertas», «santuários onde os sedentos vão beber» a fim de que «quem encontra a paróquia encontre Cristo, sem glosas e sem filtros»… O Bispo de Lamego elencou mais três chaves de leitura da Evangelii Gaudium: «a evangelização ‘non stop’», «o primado da graça, sem estratégias» e ainda «o Espírito Santo não condicionado». E finalizou, afirmando: «Não podemos deixar transformar a tempestade do Pentecostes em ar condicionado».

Fundamentação bíblica da Evangelização

O primeiro dia de formação esteve a cargo do Pe. Jorge Santos, que nos trouxe a sua experiência como cristão e como sacerdote. “Deus era alguma coisa, mas não era Alguém”. Até aos 20 anos. Num encontro de jovens, do Renovamento Carismático, fez a experiência de encontro com Deus. “Agora Deus passou a ser Alguém”. Sem este primeiro encontro, pessoal, fundante, de primeiro anúncio, “não seria o que sou como crente”.

O primeiro anúncio é essencial, porque é o mandato de Jesus Cristo (1); porque o mundo precisa urgentemente de Cristo e do Seu Evangelho de amor (2); porque quem encontrou Jesus tem necessidade de O comunicar a toda a gente (3). O Evangelho, com os 4 evangelistas, coloca a evangelização como paradigma da vida cristã. Cada um deles faz acentuações diferentes. São Marcos (16, 15): Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho (K –Kerigma); São Mateus (28, 19-20): Ide por todo o mundo e (F) Fazei discípulos; São João (20, 21): como o Pai me enviou, também Eu vos envio, C – Comunhão missionária; São Lucas (24, 48): Vós sois (T) Testemunhas destas coisas.

A Igreja existe para evangelizar. “Deus amou tanto o mundo que lhe entregou o Seu Filho Unigénito” (Jo 3, 16). O mundo de hoje, como o de ontem, precisa de evangelizadores, de quem leve esperança, de quem dê mais, dê Deus. Evangelizar é amar.

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Cursos Alpha

É necessário uma visão sobre a Diocese ou sobre a Paróquia. Mas não basta uma visão ou uma paixão. Há que encontrar pessoas para a concretizar.

Nos cursos Alpha o questionamento é o ponto de partida. Aquele que se coloca em causa está aberto para mais. É um caminho longo, desde o questionamento, aos laços que se criam, à proposta de Cristo e do Seu Evangelho, ao discipulado para depois se unir à Igreja. O curso Alpha não é um movimento, mas um método para a paróquia prosseguir o mandato de Cristo e poder chegar a todos. É uma introdução ao cristianismo, em 10 semanas, com uma reunião semanal. Três ingredientes: almoço ou jantar, uma palestra (evangelização); discussão ou diálogo à mesa. Começa num jantar festivo. O primeiro tema é sobre o sentido da vida. Questionamento. Depois convidam-se as pessoas a participar no itinerário Alpha. Os cursos têm renovado o rosto das paróquias, mudando a mentalidade, rompendo com a lógica “sempre os mesmos, sempre o mesmo”. Depois é preciso que haja continuidade, cursos bíblicos, catequese de adultos…

Células Paroquiais de Evangelização – CPE

Comunidades eclesiais de base, Grupos de Jesus, Comunidades de Santo André, Grupos Bíblicos, Cursistas. Pequenos grupos que vivem dentro das paróquias, mas com uma formação e uma vivência mais intensa. Se a experiência alpha trata do primeiro anúncio, as CPE visam continuar a viver em dinâmica evangelizadora multiplicando os grupos, em rede, dentro da paróquia.

Pequenos grupos em crescimento. O que não cresce definha. Cada grupo terá como preocupação a evangelização, formando discípulos e gerando serviço no quadro das relações quotidianas. Pode falar-se em teologia de crescimento. A evangelização celular é um processo, partindo do dia-a-dia, da oikós, rede de amigos, família, colegas, em dinâmica de oração, serviço, partilha, explicação, convite. Ao chegar aos doze elementos deverá dividir-se. As CPE assentam em 5 pilares: crescer na intimidade do Senhor; crescer no amor recíproco; evangelização do oikós; serviço dos irmãos e da paróquia; aprofundar a identidade dos crentes – formação.

As CPE colocará a paróquia em estado de missão. Será bom existir uma capela de Adoração permanente. Toda a pessoa deverá ficar envolvida na dinâmica da paróquia.

Liturgia – a presença do mistério de Cristo

O segundo dia de formação teve como orador o Frei Bernardino, continuando o trabalho encetado no ano anterior. O Concílio Vaticano II teve na liturgia uma das preocupações principais.

Deus continua a atuar na história através da liturgia. Na liturgia não atualizamos o mistério de Jesus, mas tornamo-lo presente. Seguindo Odo Casel, são três as componentes essenciais na liturgia:

  1. Existência de um acontecimento primordial de salvação;

  2. Presença do mesmo acontecimento através do rito;

  3. Graças à ação ritual, o homem de todos os tempos participa do acontecimento primordial da salvação.

A liturgia é o mistério de Cristo e da Igreja. O mistério não é algo de mágico ou de secretismo, o mistério é o próprio Deus que vem e Se revela. Mistério – uma realidade que Se faz ver. Deus encarna. Faz-Se ver por nós.

Três verbos ou atitudes na celebração da fé: pregar; acolher; aderir. Reconhece e prega a história da salvação. Acolhe e invoca o Espírito Santo. Adere e adora a Deus.

Tudo é importante na liturgia: a invocação, o louvor, a adoração, a linguagem não-verbal, os gestos, a expressão corporal. Tudo parte ou se inspira na Sagrada Escritura. A liturgia faz memória da Páscoa de Jesus Cristo.

A criatividade individual pode desvirtuar a liturgia. Há espaços e tempos, a própria arquitetura, as cores e as flores, os gestos, a posição corporal, a música, o toque, as luzes e as sombras. As duas mesas devem ser os elementos mais cuidados, o ambão e o altar.

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Liturgia e obras de Misericórdia

Um exemplo concreto na liturgia: a Apresentação dos Dons. O fiel oferece, de mãos abertas, o melhor que tem. Levam-se os dons ao altar, para serem partilhados com quem não tem que comer e que beber.

O indispensável: o pão e o vinho. E nunca um sem o outro. Ninguém se apresente diante do Senhor de mãos vazias. Sacerdócio comum dos fiéis – cada fiel se oferece. Não se bendiz o pão e o vinho, mas bendiz-se a Deus por aqueles dons. O pão é metáfora do alimento. Com o pão vive-se. Sem pão, morre-se. O vinho sublinha a gratuidade e a festa. É sinal de partilha e de comunhão. Não se bebe sozinho. À refeição, se estamos sós, bebemos meio copo de vinho, ou nem bebemos. Acompanhados bebemos uma garrafa.

Os dons ofertados a Deus tornam-se para nós pão da vida e bebida de salvação. Deus dá tudo ao homem. Homem – Deus – Homem. O homem oferece os dons a Deus. E Deus oferece-os de volta. Esta poderá ser um dos significados da comunhão na mão. Oferecemos os dons a Deus, vamos de mãos estendidas. De mãos estendidas recebemos Deus nas mãos. A Eucaristia é um convite a abrir as mãos. Para receber e para dar. As mãos despidas, a nudez das mãos e a nudez das palavras. Corpo de Cristo, diz o sacerdote, sem mais. Diz tudo. O comungante responde: Ámen, sem mais. E diz tudo. A abertura das mãos para receber Deus, há de corresponder à abertura das mãos para os pobres. A Eucaristia é princípio de partilha. Os pobres fazem parte da apresentação dos dons.

A formação permanente.

Somos sempre discípulos de Jesus. Sempre. Se quisermos ser mestres, deixando de ser discípulos, atraiçoaremos a nossa identidade batismal. Somos discípulos missionários. Sempre a aprender de Cristo, para O fazer transbordar nas nossas palavras e gestos.

Agradecimento aos dois conferentes, pelo trabalho, pela simplicidade e alegria com que vieram até nós, partilhando experiências pessoais e pastorais, desafiando, convocando, fazendo-nos refletir na nossa missão, identidade e compromisso, como cristãos e como sacerdotes.

Pe. Manuel Gonçalves, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4300, ano 85/13, de 10 de fevereiro de 2015

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