Início > , Formação, Jovens, Mensagem, Vocações > A pastoral vocacional é a vocação da pastoral

A pastoral vocacional é a vocação da pastoral

IMG_2923

Mais provocadora do que consoladora

Tal como referido no jornal anterior, ao olharmos para a sociedade em que nos inserimos, facilmente nos apercebermos da “necessidade de dar à pastoral um claro timbre vocacional”, no sentido de ajudar cada um a “descobrir o caminho para a realização de um projeto de vida como Deus quer” (NVNE 26). E sublinhar a necessidade de uma pastoral marcada pela dimensão vocacional é contribuir para anunciar que o homem é um ser chamado por Deus, favorecendo uma nova mentalidade e destronando uma certa “antropologia antivocacional” vigente.

O conceito de “vocação” deixou de ser entendido por muitos, numa época caracterizada por um centralismo antropológico que dificulta a linguagem vocacional, própria de quem se coloca numa atitude de escuta diante de Alguém que chama. Como aceitar ser chamado se não se coloca a hipótese de existir alguém que chama?

A vida não é um acaso e toda a vida humana tem valor sublime e único. Todo o ser humano, desde o nascimento, tem a sua própria vocação e o princípio ou fundamento comum desta pastoral deveria ser a descoberta do significado da existência humana, ajudando a pessoa a crescer e a conceber-se como dom de Deus, porque “a existência de cada um é fruto do amor criativo do Pai, do seu desejo eficaz, da sua palavra geradora” (NVNE 16).

Nesse sentido, “vocacionalizar a pastoral” é ultrapassar o tradicional apelo à vida religiosa ou sacerdotal, procurando combater uma certa “cultura da distração”, libertando o homem do risco de perder de vista as questões fundamentais e ajudando-o a assumir-se como um ser amado pelo Criador.

Nesta missão, que é de todos e destinada a todos, toda a comunidade cristã é sujeito e protagonista, assumindo uma função mediadora entre Deus que chama e a pessoa que escuta e é convidada a responder. E se, durante algum tempo, se promoveram algumas vocações, importa hoje promover e valorizar todas, porque “na Igreja do Senhor, ou se cresce junto ou ninguém cresce” (NVNE 13).

Animadas pelo Pai que chama para a vida, pelo Filho que chama para o seguimento e pelo Espírito que chama para o testemunho, as comunidades cristãs crescem, evangelizam e frutificam com a diversidade vocacional que reconhecem e promovem em todos os seus membros. O tempo do ministro ordenado que tudo faz já passou; este é o tempo em que todos, devidamente integrados e articulados, contribuem para o todo. Porque, numa Igreja que se afirma e apresenta como um corpo formado por muitos membros, é importante que cada um se reconheça chamado para poder aceitar ser enviado.

Nesse sentido, talvez a pastoral deva ser “mais provocadora do que consoladora, capaz de transmitir o sentido dramático da vida do homem, chamado a fazer alguma coisa que ninguém pode fazer em lugar dele” (NVNE 26).

Comissão Diocesana Vocações e Ministérios,

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4300, ano 85/13, de 10 de fevereiro de 2015

  1. Ainda sem comentários.
  1. No trackbacks yet.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: