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Archive for 12/02/2015

A pastoral vocacional é a vocação da pastoral

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Mais provocadora do que consoladora

Tal como referido no jornal anterior, ao olharmos para a sociedade em que nos inserimos, facilmente nos apercebermos da “necessidade de dar à pastoral um claro timbre vocacional”, no sentido de ajudar cada um a “descobrir o caminho para a realização de um projeto de vida como Deus quer” (NVNE 26). E sublinhar a necessidade de uma pastoral marcada pela dimensão vocacional é contribuir para anunciar que o homem é um ser chamado por Deus, favorecendo uma nova mentalidade e destronando uma certa “antropologia antivocacional” vigente.

O conceito de “vocação” deixou de ser entendido por muitos, numa época caracterizada por um centralismo antropológico que dificulta a linguagem vocacional, própria de quem se coloca numa atitude de escuta diante de Alguém que chama. Como aceitar ser chamado se não se coloca a hipótese de existir alguém que chama?

A vida não é um acaso e toda a vida humana tem valor sublime e único. Todo o ser humano, desde o nascimento, tem a sua própria vocação e o princípio ou fundamento comum desta pastoral deveria ser a descoberta do significado da existência humana, ajudando a pessoa a crescer e a conceber-se como dom de Deus, porque “a existência de cada um é fruto do amor criativo do Pai, do seu desejo eficaz, da sua palavra geradora” (NVNE 16).

Nesse sentido, “vocacionalizar a pastoral” é ultrapassar o tradicional apelo à vida religiosa ou sacerdotal, procurando combater uma certa “cultura da distração”, libertando o homem do risco de perder de vista as questões fundamentais e ajudando-o a assumir-se como um ser amado pelo Criador.

Nesta missão, que é de todos e destinada a todos, toda a comunidade cristã é sujeito e protagonista, assumindo uma função mediadora entre Deus que chama e a pessoa que escuta e é convidada a responder. E se, durante algum tempo, se promoveram algumas vocações, importa hoje promover e valorizar todas, porque “na Igreja do Senhor, ou se cresce junto ou ninguém cresce” (NVNE 13).

Animadas pelo Pai que chama para a vida, pelo Filho que chama para o seguimento e pelo Espírito que chama para o testemunho, as comunidades cristãs crescem, evangelizam e frutificam com a diversidade vocacional que reconhecem e promovem em todos os seus membros. O tempo do ministro ordenado que tudo faz já passou; este é o tempo em que todos, devidamente integrados e articulados, contribuem para o todo. Porque, numa Igreja que se afirma e apresenta como um corpo formado por muitos membros, é importante que cada um se reconheça chamado para poder aceitar ser enviado.

Nesse sentido, talvez a pastoral deva ser “mais provocadora do que consoladora, capaz de transmitir o sentido dramático da vida do homem, chamado a fazer alguma coisa que ninguém pode fazer em lugar dele” (NVNE 26).

Comissão Diocesana Vocações e Ministérios,

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4300, ano 85/13, de 10 de fevereiro de 2015

Abertura do Ano da Vida Consagrada |> 8 de fevereiro de 2015

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O Ano da Vida Consagrada iniciou com uma vigília de oração presidida pelo Papa Francisco, em Roma, no dia 29 de novembro de 2014; o encerramento do mesmo Ano está previsto para o dia 02 de fevereiro de 2016. Na nossa diocese, a abertura deste Ano aconteceu no passado domingo, na Sé, com a Eucaristia presidida pelo nosso bispo, D. António Couto.

As Comunidades Religiosas existentes na nossa diocese, maioritariamente presentes na cidade de Lamego, estiveram presentes e, desde o início da celebração, foram saudadas por D. António Couto. Após a proclamação do Evangelho, antes da homilia, os religiosos presentes, sem saírem do lugar, renovaram o seu compromisso religioso e eclesial diante do Pastor diocesano e dos demais participantes na Eucaristia.

Durante a homilia, partindo das leituras bíblicas proclamadas, D. António Couto dirigiu-se aos religiosos para lhes recordar que, tal como para S. Paulo, a causa das suas vidas deve ser o Evangelho, à luz do qual tudo deve ser feito para louvor de Deus, de realização pessoal e de crescimento da Igreja. Para isso, é necessário que toda a vida tenha uma dedicatória: o Evangelho. Comentando também a atitude de serviço assumida pela sogra de Pedro, curada por Jesus, o nosso bispo lembrou que a nossa vida está sempre na mão de Deus e que os religiosos, de maneira particular, são chamados para servir. E, acrescentou, “não há melhor pregação do que uma vida de serviço”.

No final da celebração, D. António não deixou de lembrar que esta “abertura do Ano da Vida Consagrada” merece continuidade, motivando os nossos consagrados a preencherem o ano com a alegria do seu testemunho e com outras iniciativas.

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4300, ano 85/13, de 10 de fevereiro de 2015