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Archive for Janeiro, 2015

SÃO SEBASTIÃO |> Diocese de Lamego celebrou o seu Padroeiro

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A Igreja celebra o Santo e Mártir e Lamego celebra o seu Padroeiro; seu nome é Sebastião o soldado romano que se distingue pela sua lealdade ao imperador que, apesar de este ser pagão, o distinguiu a ponto de lhe entregar a chefia da sua guarda pessoal.

Mas Sebastião era cristão e juntava à lealdade para com o imperador, a fidelidade ao seu Deus; descoberto e acusado disso ao imperador, este mandou-o castigar e apenas o deixaram quando o julgaram já morto.

Recolhido e tratado por uma cristã que o conhecia, apresentou-se de novo ao imperador para o servir; novo castigo e, agora, com a recomendação de que não o deixassem sem se certificarem da sua morte.

Deus glorificou o seu Santo, a Igreja começou a celebrá-lo e Lamego escolheu-o para seu Padroeiro principal; como tal o celebra em 20 de Janeiro, seguindo a tradição do calendário litúrgico. E fê-lo com uma Eucaristia na Catedral, presidida pelo nosso Bispo, cuja palavra se publica neste jornal. Sublinhamos, apenas, o carácter dado ao seu testemunho sobre S. Sebastião, padroeiro de algumas paróquias da Diocese, com bastantes Capelas em sua honra e imagens onde não há essas Capelas, que carregam consigo a tradição de terem sido mandadas edificar pelo Rei D. Sebastião numa das entradas das diversas freguesias, para que S. Sebastião as defendesse da peste, epidemia frequente naqueles tempos; mais corre ainda a tradição de que a primeira, ou uma das primeiras mandadas construir pelo Rei, está situada no concelho e diocese de Lamego.

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Na celebração litúrgica, a Catedral tinha bastante gente e nela tomaram parte também o Senhor D. Jacinto, o Vigário Geral, três sacerdotes e um Diácono. O Coro da Catedral solenizou a celebração, cinco Acólitos do grupo da Sé ajudaram e todos puderam ouvir o apelo final do nosso Bispo, Senhor D. António Couto, apontando S. Sebastião como modelo: «que a vossa vida seja cheia de fé, amor e esperança».

Pe. Armando Ribeiro, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4298, ano 85/11, de 20 de janeiro de 2015

ANJOS E ANJINHOS | Editorial Voz Jovem | 27 de janeiro de 2015

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Cada edição do Jornal Diocesano é preenchido por diversos acontecimentos, reflexões, pontos de vista, sugestões, notícias da Igreja e do mundo, da Diocese e da região. E mais uma vez a edição impressa da Voz de Lamego deixa bem aqueles que se esmeram para que cada edição seja oportunidade de comunicação, de anúncio, de desafio, pelos textos, pelo colorido, pelo conteúdo e pela forma dinâmica e moderna de o apresentar.

Celebração do Padroeiro principal da Diocese, com o desenvolvimento da notícia e com a HOMILIA de D. António Couto; Retiro de Agentes Pastorais; nova Capela em Castro Daire dedicada a São Paulo; espaço dedicado ao Ano de Vida Consagrada; MMF em formação; Ação vocacional em Foz Côa; Início das Visitas Pastorais no Arciprestado de Lamego; Eixo Barroco da cidade de Lamego em discussão; Comunicações Sociais e Família, e muitos outros motivos de interesse.

Como  sempre, aqui, no blogue, uma amostra, começando pelo Editorial do seu Diretor, Pe. Joaquim Dionísio, seguindo-se uma ou outra notícia mais significativa na vida da Diocese de Lamego:

ANJOS E ANJINHOS

Na linguagem comum, dizer que alguém é um anjo será sempre entendido como um elogio, já que “anjo” personifica uma realidade bondosa, desprovida de agressividade ou de qualquer sentimento menos próprio. Um “anjo” é sinónimo de uma presença que não ameaça, de uma acção que não prejudica e de uma companhia que não atemoriza.

Por isso, não raras vezes, se utiliza tal epíteto para caracterizar pessoas que fazem bem, praticam o bem e junto de quem qualquer um se sente bem.

Por outro lado, utilizamos o diminutivo “anjinho”com sentido pejorativo, dirigindo-o a quem demonstra e protagoniza uma inocência indevida, uma ausência de perspicácia perante a realidade nem sempre agradável. Ser “anjinho” será sinónimo de ser inofensivo e facilmente ludibriado pelos outros.

Aspirar a “ser anjo” é salutar e consegui-lo resultará de muito esforço, já que o bem exige atenção e determinação contínuas. Mas não devemos querer ser “anjinhos”, no sentido em que, com o nosso descuido, não contribuímos para elevar ninguém.

Isto vem também a propósito do que se vai vendo e ouvindo. Há muitos que advogam a liberdade de expressão para dizerem o que lhes apetece, inclusive sobre fé que dizem não ter, mas que pretendem impor o silêncio aos crentes quando estes tomam a palavra ou cumprem determinados gestos. Por exemplo, parece que uma das ideias do novo partido espanhol (Podemos) será proibir as procissões da Semana Santa em Sevilha.

À nossa volta vai crescendo um certo fundamentalismo ateu que quer reduzir os cristãos ao silêncio e torná-los insignificantes.

Diante disto, é sempre oportuno e necessário aspirar a ser anjo, mas constitui um dever deixar de ser anjinho, lendo e ouvindo, criticamente, determinados programas e posturas.

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4298, ano 85/11, de 20 de janeiro de 2015

Ano da Vida Consagrada |> Gratidão, paixão e esperança

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Na Carta endereçada ao mundo, a propósito do Ano da Vida Consagrada que já decorre, o Papa Francisco apontou três objectivos gerais: olhar com gratidão o passado, viver com paixão o presente e abraçar com esperança o futuro.

A este propósito, importa recordar palavras de João Paulo II, na Exortação Apostólica Pós-Sinodal Vita consecrata, n.º 110, de 1996: “Vós não tendes apenas uma história gloriosa para recordar e narrar, mas uma grande história a construir! Olhai o futuro, para o qual vos projeta o Espírito a fim de realizar convosco grandes coisas”.

  • “Olhar com gratidão” o tempo que passou é oportunidade para contemplar a acção de Deus que chama em vista do bem comum. Ao mesmo tempo, torna-se ocasião para recordar o início e o desenvolvimento histórico da cada família carismática, agradecendo a Deus os dons recebidos e que tudo tornaram possível. Mas é também tempo para avivar a identidade e robustecer a unidade e o sentido de pertença. E, como sempre, neste repercorrer do caminho feito, haverá sempre oportunidade para descobrir incoerências, confessar fraquezas e manifestar confiança no Senhor da Vida.
  • “Viver com paixão” os dias que correm implica escutar atentamente o que o Espírito diz hoje à Igreja, esforçando-se por implementar os aspectos da vida consagrada. Para isso, não basta ler ou meditar o Evangelho, mas pô-lo em prática, tal como Jesus Cristo pede. Nesse sentido, será oportuno um questionamento sobre a fidelidade à missão confiada, destacando e fomentando a comunhão, da qual todos são chamados a tornarem-se peritos. Uma comunhão que se concretiza quando há capacidade para ouvir e coragem para ultrapassar disparidades e tensões.
  • “Abraçar com esperança” o futuro é confiar no Senhor da história que caminha connosco, nos põe à prova, mas que não falha. As dificuldades estão à mostra (diminuição de vocações, envelhecimento, problemas económicos, desafios da internacionalidade e da globalização, o relativismo, a marginalização, a irrelevância social…), mas todos são convidados a manter viva a esperança, fundada numa confiança n’Aquele que não falha. E todos são convidados à vigilância, perscrutando os horizontes da vida e do mundo actual.

JD, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4296, ano 85/09, de 13 de janeiro de 2015

Ano da Vida Consagrado | Expetativas do Papa

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Após apresentar os objectivos para este Ano da Vida Consagrada, na mesma Carta, o Papa faz referência às expectativas.

  • “Contemplar a alegria” no rosto e na vida dos consagrados, sinal de serenidade e confiança que tão bem podem fazer a sociedade, tantas vezes, marcada pelo medo, sem esperança e sem perspectivas. Uma alegria que poderá atrair alguns dos que os contemplam, desenvolvendo nestes o desejo de seguir tais exemplos.
  • “Desenvolver a dimensão profética” para perscrutar a história e interpretar os acontecimentos, com liberdade para anunciar e denunciar. Mas também para criar lugares onde se viva a lógica do dom, da fraternidade, do acolhimento da diversidade e do amor recíproco.
  • “Visualizar peritos em comunhão”, aptos a concretizar a fraternidade, não apenas no interior da própria família religiosa, mas também com outras famílias e diante de todas as vocações eclesiais.
  • “Sair para as periferias” existenciais, porque a humanidade aguarda e é importante que ninguém se feche em si mesmo. Ao contrário, todos são convidados a concretizar gestos de acolhimento, inclusive partilhando espaços próprios, agora devolutos ou pouco utilizados, para acolher e formar.
  • “Interrogar-se sobre o que é pedido hoje”, por Deus e pela humanidade. Para isso, muito poderão contribuir encontros de trabalho e oração entre grupos de vida contemplativa, mas também através de encontros entre outros institutos dedicados ao ensino, à caridade e à promoção cultural.

JD, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4297, ano 85/10, de 20 de janeiro de 2015

Encontro Tereseano na Diocese de Lamego

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V centenário do nascimento de Santa Teresa de Jesus

A Ordem dos Carmelitas Descalços está a celebrar, desde o passado dia 15 de Outubro de 2014 o V Centenário do nascimento de Santa Teresa de Jesus (Teresa de Ávila): Santa, Fundadora, Mestra de oração, Doutora da Igreja … As celebrações culminarão, em Portugal, com a celebração de um Congresso e uma peregrinação Nacional a Fátima nos dias 16 a 18 de Outubro próximo.

Neste contexto, estamos a realizar Encontros de Espiritualidade sobre esta figura, sua doutrina e espiritualidade, em vários locais. Fizemos uma oferta a todos os senhores Bispos de Portugal para realizar em algum local da sua diocese um destes encontros.

Também o Senhor D. António Couro se mostrou inteiramente aberto e agradecido por esta iniciativa: já o marcamos para os dias 6 a 8 de Fevereiro próximo, na Casa de Retiros de São José, na cidade de Lamego.

Destina-se, este encontro, a todos os que desejam conhecer e/ou aprofundar nesta doutrina a espiritualidade da oração e da vida interior, especialmente os responsáveis e mais comprometidos com a pastoral: catequistas, leitores, acólitos, ministros extraordinários da comunhão, responsáveis de grupos de jovens e outros movimentos e obras paroquiais e diocesanas.

 

Pe. Alpoim Portugal, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4297, ano 85/10, de 20 de janeiro de 2015

Zona Pastoral de Resende | Formação |> A Jovem Família de Deus

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No dia 17 de janeiro de 2015, a partir das 9:30, realizou-se no Seminário de Nossa Senhora de Lourdes, em Resende, uma Formação denominada “A Jovem Família de Deus” sobre como edificar uma família em coexistência com um alicerce essencial à vida humana: DEUS, procurando construir a Família de Deus tendo como modelo Jesus, Maria e José.

Esta sessão de formação direccionada para os jovens da zona arciprestal de Resende foi bastante enriquecedora, uma vez que foram partilhadas opiniões de um seminarista, um sacerdote e casais (namorados católicos, recém-casados e um casal com 28 anos de matrimónio), cujas experiências de vida, testemunhos expressados se basearam neste conceito de Família com o intuito de tentar demonstrar aquilo que deve ser uma Família alicerçada na relação que estabelecemos com Deus.

Os aspetos mais relevantes que os casais referiram foram o facto de que não nos devemos só lembrar de Deus quando querermos afirmar o nosso amor por alguém, como por exemplo, no momento do matrimónio. Mas sim reconhecermos desde o início, a importância de uma caminhada com Deus, em que estejamos sempre “de mãos dadas” e perante a aliança que se fundará numa junção matrimonial, determinando um compromisso, não só com a pessoa que estará connosco para a vida, mas também reafirmando a nossa fé na presença de Deus.

No fim desta receção de conhecimento vivencial, dirigimo-nos ao refeitório do Seminário onde foi abençoada a refeição que tomamos.

Finalmente exprimimos toda a nossa satisfação com um cântico que se designava “Sonhei” e recitámos uma oração à Sagrada Família escrita pelo Papa Francisco e, assim, deu-se por terminado mais um encontro que consolidou o significado de partilha, que foi acolhido com grande recetividade, pelos jovens de Barrô, São João de Fontoura, São Martinho de Mouros e Resende da Zona pastoral de Resende.

Ana Cláudia, Gotas d’Orvalho, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4297, ano 85/10, de 20 de janeiro de 2015

São Sebastião, Padroeiro de Lamego | Homilia de D. António Couto

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SÃO SEBASTIÃO

PADROEIRO PRINCIPAL DA DIOCESE DE LAMEGO

  1. A nossa Igreja de Lamego celebra hoje jubilosamente o seu Padroeiro principal, São Sebastião, MÁRTIR, isto é, TESTEMUNHA, verdadeira testemunha de Jesus Cristo. O MARTÍRIO, isto é, o TESTEMUNHO, de São Sebastião aconteceu, com certeza, na grande perseguição movida aos cristãos pelo imperador Diocleciano, nos primeiros anos do século IV. E o TESTEMUNHO dado até ao sangue por São Sebastião espalhou-se por muitas comunidades cristãs, ou a elas deu origem, de acordo com o célebre aforismo de Tertuliano: «Sangue de mártires, semente de cristãos». De tal modo que em muitos lugares, na voz do povo, São Sebastião ficou conhecido simplesmente como «O MÁRTIR», aquele que deu a vida por Jesus Cristo, e que deu e dá vida, DADOR DE VIDA, a tantas comunidades cristãs.
  1. As páginas da Escritura Santa, que hoje, neste dia 20 de Janeiro, tivemos a graça de escutar, ajudam-nos a aprender a ser MÁRTIRES, isto é, TESTEMUNHAS, isto é, DADORES DE VIDA, no exato seguimento de Jesus Cristo e do nosso Padroeiro, São Sebastião.
  1. A grande lição do bocadinho do Discurso Missionário de Jesus no Evangelho Mateus (10,28-33) está atravessada pela confiança em Deus, nosso Pai, que cuida de nós em todas as circunstâncias. Daí a locução «não tenhais medo!», que soa no pequeno texto de hoje por duas vezes (Mateus 10,28 e 31). Daí, a coragem serena que deve mover o discípulo e enviado de Jesus a falar claro, à luz do dia ou sobre os telhados, em todas as circunstâncias. De resto, é óbvio que sendo o discípulo de Jesus por natureza missionário, não pode viver escondido nas catacumbas ou amuralhado no seu grupo de pertença. O cristão tem sempre pela frente o risco do mundo e da própria vida.
  1. Depois, para ilustrar as suas palavras, surge o recurso característico de Jesus às imagens simples da vida campestre. Dois passarinhos são vendidos por um asse, que é uma moedinha de cobre, pequenina, que valia 1/16 avos de um denário. O denário era o equivalente ao salário de um dia de um trabalhador. Portanto, do menor para o maior, à boa maneira rabínica, se Deus, nosso Pai, cuida desses passarinhos, pequeninos, quanto mais fará sentir a sua providência amorosa sobre nós (Mateus 10,29-31).
  1. O Antigo Testamento abre caminho para o Novo, e o Novo para o Antigo. Na excecional lição do Segundo Livro dos Macabeus, também hoje escutada, tanta vida se descobre. Contextualizo. No ano 167 a. C., o selêucida Antíoco IV Epifânio desencadeou uma violenta perseguição antijudaica (a primeira perseguição religiosa de que há memória na história), cujos ecos se podem ver no Segundo Livro dos Macabeus, Capítulos 6 e 7, um extraordinário díptico que mostra, no Capítulo 6.º, a fidelidade heroica do velho Eleazar, e, no Capítulo 7.º, a mesma atitude por parte dos sete jovens irmãos Macabeus e sua mãe. Foi este segundo episódio que hoje escutámos. A narrativa está cheia de heroicidade e de fé no Deus vivo. Estes sete jovens e sua mãe afirmam aqui, de forma clara, a Ressurreição, aludida em muitas outras passagens do Antigo Testamento. Mas vale sempre a pena recuperar o quadro de Eleazar, um ancião de 90 anos, que também afirma e defende corajosamente a sua fé perante os perseguidores pagãos. Os dois quadros, o do velho ancião e o dos sete jovens e sua mãe, formam um belíssimo díptico que devemos colocar em lugar bem visível para os olhos do nosso coração, como se fosse, e é, um quadro de família. A tinta dos quadros ou das narrativas do Livro dos Macabeus, citando nomes e acontecimentos verdadeiros, é também de teor edificante. O Livro de Daniel, escrito provavelmente no Outono do ano 164 a. C., lê os mesmos acontecimentos também com o objetivo de encorajar os judeus piedosos a permanecerem firmes na sua fé durante a perseguição do tirano Antíoco IV Epifânio. No dizer deste Livro (12,1-3), pessoas como Eleazar ou os sete jovens irmãos Macabeus e sua mãe são os mestres sábios e justificadores, isto é, DADORES DE VIDA. Estes MESTRES, estas TESTEMUNHAS, MESTRES porque TESTEMUNHAS, ensinam, não teorias, mas a vida verdadeira, dando a sua vida por amor: é assim que vencem os violentos, não opondo-se a eles, mas amando, isto é, dando a vida e DANDO VIDA, ensinando a viver. Estes novos sábios e dadores de vida são, diz o Livro de Daniel, as novas estrelas que brilham para sempre! Todas as outras, as do cinema, da canção, do futebol, as do próprio céu, são cadentes e decadentes.
  1. Portanto, ensina-nos a lição da Primeira Carta de São Pedro (3,14-17), também hoje escutada: «Estai sempre prontos, preparados, para dar, a quem vos pedir, a razão da esperança que há em vós» (1 Pedro 3,15. Dá-se a razão, como se dá o pão. Sem argumentação. Mas com a mão e o coração. Não é em vão que a lição da Carta de São Pedro diz «razão» com o termo grego lógos. Está bom de ver que o lógos bíblico não é nada nosso, não são os nossos raciocínios teóricos e abstratos. A razão que somos chamados a dar não é um objeto do nosso pensamento, mas uma PESSOA: Jesus Cristo, Filho de Deus, nascido de Maria, «feito Homem como nós e que veio habitar no meio de nós» (João 1,14). É Ele a razão, o lógos, «pelo qual tudo foi feito, e sem Ele nada foi feito» (João 1,3). Estar prontos, preparados, para dar a razão, o lógos, da nossa esperança, é estar prontos a dar a este mundo Jesus Cristo!
  1. De resto, amados irmãos, é de Jesus Cristo que este mundo precisa. É Jesus Cristo que as pessoas nos pedem. Foi Jesus Cristo que São Sebastião deu ao mundo no seu tempo. É Jesus Cristo que São Sebastião, Padroeiro da nossa Diocese, nos entrega hoje. Não como um valor a conservar e guardar com todas as cautelas em alguma gaveta ou cofre-forte. Mas para nós o entregarmos generosamente aos nossos irmãos. Quando celebramos um mártir, não sobra lugar para o acidental. É Jesus Cristo que um mártir tem nos olhos e no coração. É esta herança do essencial, sem estratégias ou malabarismos, que recebemos do nosso Padroeiro.
  1. Jovem soldado, jovem mártir, São Sebastião, ensina a tua Igreja de Lamego, que proteges, a estar sempre pronta, preparada e diligente para dar Jesus Cristo aos nossos irmãos que no-lo pedem. Ámen.

+ António, vosso bispo e irmão

Conselho Pastoral Arciprestal: Moimenta, Tabuaço e Sernancelhe

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O Conselho Pastoral Arciprestal de Moimenta da Beira, Tabuaço e Sernancelhe reuniu pela primeira vez, no passado domingo, dia 11 de Janeiro pelas 15 horas, no Centro Paroquial de Moimenta da Beira.

Cerca de 30 pessoas estiveram presentes representando as diversas paróquias dos referidos concelhos.

Nesta reunião, após a oração inicial e apresentação de todos os elementos, foram explicadas as funções destes conselhos pastorais e qual a ligação entre este e o Conselho paroquial e diocesano.

Por último, foi ainda debatido o plano pastoral proposto para este ano.

Certos que com estas reuniões nos sentiremos mais acompanhados e apoiados nas respetivas paróquias, aguardamos com fé cada etapa deste percurso.

Dulce Santos, Paróquia de Arcos, Tabuaço

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4297, ano 85/10, de 20 de janeiro de 2015

Promoção Vocacional |> Paróquias de Alvarenga e de Cabril

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No passado domingo dia 11 de Janeiro de 2015 celebrou-se o Batismo do Senhor e, para o celebrar mais festivamente o Seminário Menor de Resende foi convidado pelo Sr. Pr. José Miguel, pároco das freguesias de Alvarenga e Cabril, para a realização de uma Ação de Promoção Vocacional. Dos 14 seminaristas estiveram presentes 12. Em Alvarenga o Sérgio Carvalho e o Adriano Sousa acolitaram, na celebração da Eucaristia, juntamente com o Pe. José, o sr. Vice reitor do Seminário e o sr. Diácono Fabrício Pinheiro. Alguns seminaristas, rotativamente foram ler as leituras e a oração dos fiéis. Assim aconteceu, também em Cabril.

Na homilia o sr. Vice Reitor falou, principalmente, sobre o batismo, da vocação, lembrando a crise das vocações sacerdotais, da família de Deus… Convidou também todo o povo de Deus, principalmente os jovens e os pais e famílias para a nossa ação promocional.

Fomos todos almoçar na freguesia de Alvarenga no Restaurante Décio.

Por volta das três horas começamos com a nossa ação promocional sobre as vocações, tendo sido participada por muitas pessoas e muitos jovens. Correu muito bem… as pessoas participaram e gostaram muito da nossa presença e da nossa apresentação do seminário e dos seminaristas.

No final fomos convidados para irmos lanchar a casa de um casal de Alvarenga.

O nosso obrigado ao sr Pe. José Miguel pelo convite e pelo carinho que nutre pelos Seminários. Às paróquias de Alvarenga e Cabril o nosso obrigado pelas palavras de incentivo e de coragem e pelo sorriso com que nos receberam.

No final do lanche retomamos a viagem para nossa casa, o Seminário.

Marcelo Castro (10º ano) e Teófilo Pinheiro (8º ano), SMResende,

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4297, ano 85/10, de 20 de janeiro de 2015

LIBERDADE e RESPEITO | Editorial Voz de Lamego | 20 de janeiro

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A edição desta semana é publicada com uma data especial para a Diocese de Lamego, a celebração do seu Padroeiro Principal, mártir São Sebastião, morto a 20 de janeiro de 288 (e segundo outros, no ano de 300).

Depois dos atentados de Paris, muitas canetas se levantaram para escrever, para refletir e nos fazer refletir, apresentando pontos de vistas, tentando compreender tamanha barbárie, mas simultaneamente balizar a liberdade (que nunca é absoluto, pois não existimos sozinhos) com o respeito. O Papa Francisco na recente Viagem Apostólica ao Sri Lanka e às Filipinas sublinhou que nada justifica que se mate em nome de Deus, mas salientou o respeito que se deve ter para com as religiões, pois também estas têm direito à liberdade.

O Editorial, do Diretor da Voz de Lamego, Pe. Joaquim Donísio, coloca-nos precisamente esta interrogação: será possível a liberdade de expressão sem respeito? Além desta reflexão que ambienta a edição do Jornal, outros textos de reflexão sobre a liberdade de expressão conjugada com o respeito pelos outros, pelos crentes.

Para já o Editorial e a primeira página da Voz de Lamego, na edição impressa, uma grande variedade de notícias, da Igreja, da Diocese, da cidade de Lamego e da região.

LIBERDADE e RESPEITO

Nos últimos anos, os actos terroristas que têm ensombrado a paz e ceifado milhares de vidas tiveram como protagonistas indivíduos ou grupos que se afirmavam ligados à fé islâmica. Daí que, após cada atentado, se instale a tentação de falar de religião e não de terrorismo. E logo aparecem vozes para dizer que as religiões são fontes de conflito. Mas se é verdade que podem existir motivações religiosas nesses actos, elas não explicam tudo.

A este propósito, e tendo o mundo ocidental como referência, Zigmund Bauman, um filósofo e sociólogo polaco-britânico, de origem judaica, fala de um “multiculturalismo superficial”, de fachada, que continua a não conseguir integrar plenamente, gerando excluídos que, às vezes, protagonizam actos condenáveis.

Um multiculturalismo que é consequência das “diásporas”, do partir para uma terra distante, transportando consigo uma cultura, sonhos de realização e tentando adaptar-se ao meio onde se instala. O vizinho com quem se partilha a rua, as estruturas, a escola e os locais de trabalho era, há pouco tempo, um estrangeiro longínquo. E hoje, apesar de estar perto, continua a ser um desconhecido. Há, então, uma “proximidade desestabilizante”, pois não se sabe com o que contar.

Este multiculturalismo superficial é um sistema que reconhece a legitimidade de culturas diferentes da nossa, mas que ignora ou recusa tudo o que ela tem de sagrado e não negociável. A falta de respeito autêntico afigura-se profundamente humilhante. E, sabemo-lo, a humilhação tende a motivar gestos de revolta e vingança, tais como os praticados contra jornalistas ou “fazedores de opinião”.

Por isso, os comentadores e jornalistas que apontam a religião como causa de tais actos podem estar a precipitar-se: afinal, a causa pode bem ser a sua incapacidade para acolher e, sobretudo, respeitar. Poderá haver liberdade de expressão sem respeito?

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4297, ano 85/10, de 20 de janeiro de 2015