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TRAVE E ARGUEIRO | Editorial Voz de Lamego | 6 de janeiro de 2015

editorial

Primeira edição do Jornal da Diocese de Lamego, VOZ DE LAMEGO, neste mês e neste novo ano de 2015. Destaque da primeira página vai para a Família, temática e preocupação de fundo do plano pastoral de 2014/2015. Mas muitos outros motivos interesse, como são os temas de reflexão, a preparação da liturgia dominical, com o habitual comentário, a Homilia de D. António Couto no primeiro dia do ano, Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus; celebrações de Natal; intervenções do Papa Francisco; notícias da região.

Bem contextualizado também o Editorial do Pe. Joaquim Dionísio, diretor da nossa Voz de Lamego, que partindo do diagnóstico feito pelo Papa Francisco diante da Cúria Romana, o alarga para nós, no renovado desafio para corrigirmos as causas que nos levam às tentações do carreirismo, do aplauso fácil, da coscuvilhice….

TRAVE E ARGUEIRO 

As palavras que o Papa Francisco dirigiu aos seus mais directos colaboradores, os membros da Cúria romana, motivaram notícias de primeira página, muitos comentários, alguns desabafos e, cremos também, exames de consciência.

No habitual encontro antes do Natal, quando todos esperavam saudações festivas e “palavras de circunstância”, Francisco elencou algumas tentações que podem enfraquecer a vivência da fé e perturbar a vida eclesial.

Nos vinte e um meses que leva de pontificado, depois de muito ter ouvido e observado, o Papa aproveitou o momento para criticar “o carreirismo”, “o Alzheimer espiritual”, “os boatos” e os anseios de “poder” e de “vã glória”, entre outros, que grassam dentro da própria Cúria. Não admira que os aplausos tenham estado ausentes e que os sorrisos tivessem sido raros.

Mas, apesar da plateia que rodeava o Pontífice, tais palavras são extensíveis a todo o mundo e a todos os baptizados. Até para o próprio, já que Francisco não cessa de pedir que se reze por ele. E não podia ser de outra maneira: quem assim fala para os outros, não tem receio de se incluir nos destinatários.

Podemos criticar a oportunidade, a extensão ou a dureza do discurso, mas não a coragem e a vontade de mudança do seu autor. Afinal, o Papa convida a Igreja a ter em conta o ensinamento evangélico do “argueiro e da trave” (Lc 6, 42). Porque só identificando o que de menos bom existe dentro poderá denunciar o que observa no mundo.

O desafio que agora se coloca ao Pontífice é o de agir em conformidade, isto é, contribuir para o fim das tentações diagnosticadas. Porque seria pouco edificante se, quem diagnosticou o mal, não se empenhasse em extinguir as causas.

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4295, ano 85/08, de 6 de janeiro de 2015