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Archive for Dezembro, 2014

Dias de genocídio: em pleno século XXI muitos cristãos perseguidos…

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O mundo prepara-separa acrescentar mais um ano ao calendário e os cristãos vivem o Advento como tempo de preparação para a grande festa do encontro entre Deus e a humanidade, o Natal. No entanto, no mundo, há milhões que não têm motivos para festejar a chegada de um novo ano e há milhares e milhares de cristãos perseguidos que não têm liberdade para celebrar a sua fé e condições para viverem a sua vida com dignidade.

No Iraque e na Síria, os terroristas do Estado Islâmico são implacáveis para com os Cristãos: ou se submetem, convertendo-se ao Islão, ou pagam um imposto – elevadíssimo – ou morrem. Os jihadistas não respeitam nada nem ninguém. Destroem igrejas, matam indiscriminadamente, violam mulheres e escravizam-nas. Milhares de crianças viram os pais serem assassinados à sua frente. O terror é tanto que a única alternativa é a fuga.  Milhares de cristãos deixaram tudo o que tinham e partiram. Agora vivem em tendas e não sabem o que fazer das suas vidas. No Líbano e na Jordânia há um lamento enorme, um grito de dor e de revoltaem milhares de pessoas. São os novos refugiados.  Não têm absolutamente nada. Às vezes, nem sequer a esperança de poderem algum dia regressar a casa…

A perseguição estende-se a outras zonas do globo, como seja em alguns países da Ásia e em África. Maioritariamente, os maus tratos e a morte são infligidos em países se orientação islâmica.

Apesar dos apelos ao diálogo e do convite permanente a que a diversidade seja respeitada, muitos grupos islâmicos consideram estar a cumprir a vontade de Alá quando perseguem e matam “infiéis”, isto é todos aqueles que professam outra fé. A imagem que têm da divindade é muito limitada e a compreensão que protagonizam das verdades da fé não reconhece o direito à diferença. Persegue-se e mata-se, não porque algum crime hediondo tenha sido cometido, mas tão somente porque não adoram o seu deus.

Comunidades cristãs com séculos de existência, famílias estabelecidas há muito com as suas tradições e bens são perseguidas, maltratadas, expulsas ou mortas porque se limitam a seguir a sua fé, a fé que herdaram dos seus antepassados.

Os perseguidores são alguns, podem até ser uma minoria e serão, certamente, um mau exemplo a evitar e uma má “publicidade” à fé islâmica. Mas a pergunta que se faz é esta: como se transmite tanto ódio de geração em geração, de grupo em grupo? Quem continua a propagar tais interpretações das escrituras islâmicas? Quem subsidia a existência de tais “mestres” e de tais “escolas” corânicas? Quem financia o recrutamento de tantos jovens europeus para as suas fileiras? Que os Palestinianos não gostem e persigam os judeus até é compreensível, quando vemos a situação em que milhões de Palestinianos são obrigados a viver. Mas que mal cometeram tantos cristãos indefesos, pobres e isolados no Iraque ou na Síria, na Nigéria ou na Coreia do Norte?

Por vezes a religião é apresentada como obstáculo e causa de conflitos, quando, na verdade, o problema será uma questão de valores e de princípios. Enquanto não se olhar para a vida como valor supremo e para a dignidade humana como princípio universal não se chegará muito longe. Que importa rezar ao Senhor da Vida se não sou capaz de respeitar a vida que tenho e que testemunho à minha volta? Como posso pedir perdão ao Senhor misericordioso se não aceito e sou incapaz de conviver com quem pensa diferente de mim?

Por outro lado, em países que se dizem de orientação ateia, como a Coreia do Norte, onde está o respeito pela liberdade individual e donde vem tanto medo perante a fé dos cidadãos? Ou será que a fé cristã ensina e promove pensamentos e práticas que respeitam a diversidade e excluem todo o totalitarismo? Porque será que esses dirigentes, que se dizem iluminados e teimam em manter os seus compatriotas nas trevas, têm mais medo das bíblias que proíbem do que das armas que produzem e vendem?

Ninguém poderá ficar insensível perante tantas atrocidades que se cometem por esse mundo fora, desrespeitando a individualidade e dignidade humanas. Curvamo-nos perante tantos testemunhos de fidelidade e sentimo-nos pequenos diante de tamanhos exemplos de vida e de fé.

Enquanto crentes, somos desafiados na nossa esperança, acreditando que a Providência de Deus não falha, apesar de, às vezes, pensarmos que Deus anda “distraído” perante tanto mal e “silencioso” diante de tantas súplicas. Mas Ele concede-nos tempo para reconhecer o erro e corrigir a falha. Rezamos para que o sangue destes mártires seja “semente de novos cristãos” e que os perseguidores reconheçam o valor da vida e aceitem a diferença.

Joaquim Dionísio, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4292, ano 84/54, de 9 de dezembro de 2014

D. António Couto na Visita Pastoral em São Cosmado

S.CosmadoNos dias vinte e oito, vinte e nove, e trinta do mês de novembro de dois mil e catorze, o Sr. Bispo, D. António, deslocou-se, em visita pastoral, à paróquia de São Cosmado, tendo reunido com os vários elementos, grupos, associações e entidades desta comunidade (Cardais, Lapinha, Contim e São Cosmado).

Com o objectivo de proceder à preparação da visita, o Pároco, Pe António Lemos, deslocou-se a Lamego para falar da sua paróquia e apresentar, em traços gerais, o plano de atividades que vem desenvolvendo e, ainda, acertar, com o Sr Bispo, a vivência dos dias da sua visita pastoral. Nesse âmbito, foi abordada a realidade geográfica da paróquia:São Cosmado – Igreja paroquial  de S. Cosme e Damião; Contim – capela de Nª Sª dos Milagres; Cardais – capela de  S. João; Lapinha – capela de S. Francisco e a realidade Povo de Deus. Elencaram-se, igualmente, algumas das atividades que poderiam ter lugar:

Em S. Cosmado – encontro com os colaboradores de toda a paróquia, associações e outras entidades,visita ao lar idosos e aos doentes, esta última, na casa de família; encontro convívio com os crismandos; visita às Irmãs Reparadoras do Sº Coração de Jesus; em Contim , Celebração da Eucaristia, sábado, seguida de convívio; em Cardais e Lapinha – encontro com Povo de Deus nas suas capelas; cerimónia  do dia 30 novembro; envio, em missão, dos colaboradores aos diversos setores de serviço da paróquia.

Posteriormente, foi elaborado o programa/guião que teve em conta a formação global das pessoas: crismandos, padrinhos, pais, jovens, adultos e a reavaliação da vida dos movimentos e grupos paroquiais e que contemplava as seguintes iniciativas:

Assim, no dia 28, o sr Bispo encontrar-se-ia, em S. Cosmado,com os colaboradores dos quatro povos; comos Crismandos, visitaria o Lar de idosos, as casas de alguns doentes, a ”Obra de Formação Moral dos Pobres”, a Junta de Freguesia e os lugares de Cardais e Lapinha.

No dia 29, deslocar-se-ia a Contim onde celebraria a Eucaristia pelas 16:30horas, seguindo-se um encontro convívio.

 No dia 30, os paroquianos compareceriam no largo Gomes Teixeira para a receção  ao Sr. D. António. Daí, partindo, em procissão, para a igreja, onde, unidos em comunhão com Cristo, celebrariam a Eucaristia.

Neste âmbito, feito um apelo à oração em família para que a presença do Sr. D. António fosse, para todos, um tempo de dom e de graça, onde todos se sintissem disponíveis e alegres no acolhimento dos apelos de Deus para que a luz da fé nunca se apague, alimentada com a escuta da palavra, a eucaristia, a oração e a prática da caridade e do amor.

Foi referida a importância da presença do Senhor Bispo, D. António, pois, este, recorda-nos que, todos nós, paroquianos de S. Cosmado, somos uma pequena parcela  de toda a igreja diocesana, sendo ele o sinal visível da unidade e da comunhão de uma diocese.

S.Cosmado-contim2De facto, os dias indicados constituir-se-iam como momentos particulares, pois haveria a oportunidade de dialogar com as pessoas, conhecer a realidade local, os nossos anseios, aspirações, dificuldades, projetos, esperanças e alegrias, ao mesmo tempo que se daria a conhecer. Era fundamental que os encontros, convívios e atividades agendadas passassem da convivência humana  a uma convivência ao nível da fé,  Para isso, era imprescindível que todos aceitassem o estímulo para crescer na fé, dispondo-se a frequentar as escolas de vivência da fé,participando unidos e em comunhão uns com os outros, tornando mais viva esta pertença comum à mesma família.

 

Pe. António Lemos, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4292, ano 84/54, de 9 de dezembro de 2014

39.º CURSILHO DE SENHORAS | Ecos

CursilhoDe 27 a 30 de Novembro realizou-se, na Casa de Retiros de S. José o 39º Cursilho de Cristandade – Senhoras, da nossa diocese. Foram dezoito as participantes a viver o curso pela primeira vez, para além dos membros da equipa animadora. Foram três dias de convívio, oração e reflexão intensamente vividos pelas trinta e três pessoas nele envolvidas. Em jubilar constituiu por si mesmo mais um sinal positivo e estimulante num caminho já percorrido e consolidado, mas com muito ainda a oferecer ao nosso espaço eclesial. A diversidade de locais de origem das participantes, e o entrosamento de idades na equipa animadora tornam-nos mais fortes na certeza de que este testemunho evangelizador está a passar para as gerações mais novas.

O encerramento do Cursilho decorreu na Sé Catedral de Lamego, na tarde de domingo, dia 30, em assembleia aberta. Com uma moldura humana bastante significativa e acolhedora foram calorosamente partilhados os testemunhos de quem viveu uma experiência feliz. Pudemos ouvir palavras como estas:

“Não tenho palavras. A fé que tinha não era a que conheci aqui. Cristo é muito mais do que eu pensava. Sinto-me feliz, aliviada. Cristo já estava em mim… Mas agora está mais. Sinto-O muito na proximidade do Sacrário. Não O vou deixar a Ele, nem Ele a mim…”.

O próximo Cursilho de Cristandade (para Homens) está previsto para se realizar de 29 de Janeiro a um de Fevereiro.

Pe. José Melo


A MARAVILHA DE UM CURSILHO DE CRISTANDADE

Decorreu entre os dias 27 e 30 de Novembro, na Casa de São José, o 39.º Cursilho de senhoras da Diocese de Lamego.

O Cursilho é sempre um momento de aprofundarmos a nossa fé,  de reconhecermos que somos Igreja, onde devemos ser pedras vivas,  militantes e actuantes,  no nosso metro quadrado.

Cursilho2O encontro com Cristo, no Sacrário, trouxe às participantes uma felicidade inigualável. A celebração da Missa da Unidade foi vivida com muita intensidade fazendo   brotar  lágrimas de imensa alegria. Essa experiência permitiu que todas reconhecessem  que,  como  cristãs, jamais   poderão passar sem Eucaristia, que é o mais sublime momento de encontro com Cristo e com os irmãos. Ler mais…

D. António Couto apresenta livro de Homilias do Frei Filipe, op

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Na próxima segunda-feira, 15 de dezembro de 2014, D. António Couto apresentará, no Centro Paroquial de Almacave, o livro do frei Filipe, Frade da Ordem dos Pregadores de São Domingos.

Nascido em Lisboa, o Frei Filipe tem as suas raízes em Feirão, no concelho de Resende (terra natal da Mãe), e Cotelo, no concelho de Castro Daire (terra natal do Pai), lugares onde regressa amiúde e que integram a nossa Diocese de Lamego. Sobretudo no Verão, passa uma temporada maior por estas bandas… Por outro lado, a ligação à Diocese de Lamego faz-se também pelo mosteiro das Irmãs Dominicanas de Clausura, nas proximidades do Santuário dos Remédios, onde se tem deslocado como Visitador.

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A ligação efetiva e afetiva à Diocese de Lamego, mas também a acessibilidade e pertinência das suas reflexões. É conhecido o seu livro de reflexões, que foi partilhando também num blogue com o mesmo nome: Retalhos da Vida de Um Padre.

Neste segundo livro, o Frei Filipe fornece-nos um subsídio para melhor preparar o Domingo, partindo da Palavra de Deus, para iluminar a nossa realidade e o nosso compromisso.  “Arrependei-vos e acreditai no Evangelho” – o mote para o livro e o mote para nos sentirmos convidados para esta sessão de apresentação, com a presença do Frei Filipe e com a intervenção sempre oportuna do nosso Bispo, também promotor da reflexão da Palavra de Deus, presenteando-nos com pistas de reflexão para cada Domingo.

Nova Direção da Cáritas Diocesana de Lamego

Cáritas

Nota da Vigararia Geral

A Vigararia Geral da Diocese de Lamego informa que o Sr. D. António José da Rocha Couto, perante as necessidades pastorais da Diocese e procurando responder às suas exigências, decidiu proceder à nomeação de uma nova Direcção da Caritas Diocesana, representativa dos seis Arciprestados da Diocese, ficando assim constituída:

Presidente: Isabel Duarte Mirandela da Costa, simultaneamente representante do Arciprestado de Lamego;

 Ana Maria Guerra, representante do Arcprestado de Armamar/Tarouca;

Jorge Oliveira Pinto, representante do Arciprestado de Castro Daire/Vila Nova de Paiva:

José Dias Gabriel, representante do Arciprestado de Cinfães/Resende;

Isabel Maria Soares Moreira, representante do Arciprestado de Meda/Penedono/São João da Pesqueira/Vila Nova de Foz Côa;

Célia Maria Santos Silva Fernandes, representante do Arciprestado de Moimenta da Beira/Sernancelhe/Tabuaço.

 

O Senhor D. António manifesta a todos a sua gratidão pela inteira disponibilidade de cada um e deseja-lhes os maiores êxitos nesta sua missão, particularmenrte para bem dos irmãos mais desfavorecidos.

O Senhor Bispo agradece também, em nome da Diocese, todos os serviços prestados pelo anterior Presidente, Pe. Adriano Monteiro Cardoso, pelos restantes membros da Direcção cessante e por todas as pessoas que generosa e desinteressadamente têm prestado a sua colaboração.

Lamego, 05 de Dezembro de 2014

Joaquim Dias Rebelo, Vigário Geral da Diocese

AFINAR A PRONTIDÃO | Editorial Voz de Lamego | 9 de dezembro

Editorial

Dia seguinte à solenidade da Imaculada Conceição, a edição da Voz de Lamego, de 9 de dezembro, disponibiliza a homilia de D. António Couto, proferida na Sé Catedral de Lamego, no respetivo Pontifical. Mas muitos e diversificados, como habitualmente são as notícias e os textos de reflexão. Destaca-se nesta edição a vivência do Advento que nos prepara para o Natal, com as campanhas de solidariedade e a reflexão de muitas situações que abertamente contradizem os valores do Natal.

O Editorial proposto pelo Diretor, Pe. Joaquim Dionísio ambienta-nos para uma leitura profícua, desafiando-nos a afinar a nossa prontidão, seguindo de perto a prontidão de Nossa Senhora…

AFINAR A PRONTIDÃO 

Em pleno Advento, a figura de Maria acompanha-nos e motiva-nos a avançar, cumprindo “o que Ele nos diz”. E é reconfortante ter Maria por companhia, a olhar para nós e por nós e, na sua simplicidade, a apontar-nos para mais alto.

Na Exortação que nos ofereceu, o Papa Francisco apresentou Maria como a “Senhora da Prontidão”, para sublinhar “uma dinâmica de justiça e ternura, de contemplação e caminho para os outros”, fazendo dela um “modelo eclesial para a evangelização” (EG 288).

Falar de “prontidão” é referir a disponibilidade, a presteza, de quem está pronto e obedece, de quem facilmente compreende e executa sem demoras. Mas, como nos ensina o Evangelho, ninguém estará pronto se não estiver atento e ninguém protagonizará prontidão de não estiver disponível…

O Advento é uma oportunidade para afinarmos a nossa prontidão. Escutamos sucessivos apelos evangélicos para mudar e contínuos convites eclesiais para participar, mas quantas vezes estamos prontos para concretizar e disponíveis para dizer sim? Sejamos sinceros: às vezes a nossa prontidão fica-se pelas palavras e a “zona de conforto” não deixa ir além das intenções! Dito de outra maneira, a prontidão pode “medir-se” pela continuidade entre o que se diz e o que se faz.

O Criador concede-nos meios, dons e capacidades que nos tornam aptos para viver e crescer; os sacramentos conferem-nos graças que fortalecem e santificam; o baptismo torna-nos membros do Corpo de Cristo; a fé orienta-nos e mantém viva a esperança; a Igreja acolhe-nos e acompanha-nos… Tudo e todos contribuem para estarmos prontos, mas compete a cada um dar o passo em frente.

E com gratidão, louvamos tantos exemplos de pessoas que, à nossa volta e como Maria, protagonizam uma prontidão que nos edifica e estimula.

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4292, ano 84/54, de 9 de dezembro de 2014

Homilia de D. António Couto | Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

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(FOTO: Entrada solene de D. António na Diocese de Lamego, 29 de janeiro de 2012)

SOLENIDADE DA IMACULADA CONCEIÇÃO DA VIRGEM SANTA MARIA

 

  1. Depois de ontem (Domingo II do Advento) termos avistado e ouvido a lição magistral de um homem sólido e firme como um tronco, de antes quebrar que torcer, que não tem nada a ver com as canas ocas (Mateus 11,7), João Baptista, contemplamos hoje, Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria, a grácil e terna figura de Maria, no seu ser inteiro, obra de Deus. João Baptista é como um tronco, plantado no deserto. Plantação de Deus, portanto, pois mais ninguém planta o deserto. João Baptista é como um tronco plantado no deserto. Vendo bem, já lá estão outros troncos, igualmente sólidos, igualmente firmes. Ajustando um pouco melhor o olhar, veem-se uns fios que vão de tronco em tronco, de poste em poste. Estes troncos sólidos, estes postes firmes, estes finos fios sãos semelhantes aos postes e aos fios do telefone, das comunicações, da comunicação.

  1. João Baptista é como um poste telefónico, uma antena de comunicação. Vendo melhor, vê-se que está em linha com Isaías e com Deus. Aí está o fio de sentido, a Palavra que não é nem de João nem de Isaías, mas de Deus. É essa Palavra que grita no deserto, ou no nosso desertificado, árido, endurecido coração. Mas Deus sabe fazer correr rios de água no deserto (Isaías 35,7; 41,18; 43,20). Deus sabe fazer florir o deserto, fazer frutificar o deserto (Isaías 35,1-2).

  1. É assim que Nazaré é literalmente a cidade florida (de natsar = florescer). E é assim que Maria é a cidade fruticada, e não fortificada. Também Maria está em linha com a Palavra de Deus. Não a perturbeis, porque ela não se cansa de escutar com o coração. Nós aproximamo-nos, e vemos um anjo. Mas os anjos não são para se verem. São para se ouvirem. Maria ao telefone com Deus. Mas este telefone não foi instalado pela PT. Tão-pouco é um telemóvel que se possa trazer no bolso. Vendo mais de perto, este telefone toca no coração.

  1. Memorial desta beleza incandescente é a Basílica da Anunciação, em Nazaré. Esta grandiosa Basílica, em três planos, foi inaugurada em 25 de Março de 1969, e foi visitada, ainda as obras estavam em curso, em 1964, pelo Beato Papa Paulo VI. Escavações feitas antes desta grandiosa construção puseram a descoberto, e podem ver-se ainda hoje, os majestosos pilares de uma Catedral levantada em 1099, pelo príncipe cruzado Tancredo, bem como o pavimento em mosaico de uma igreja bizantina, que pode ser datada do ano 450. Mas, descendo mais fundo, até às entranhas da atual Basílica, acede-se à Gruta da Anunciação, sob cujo altar se lê a inscrição Verbum caro hic factum est [«Aqui o Verbo se fez carne»], e a outros lugares de culto antigos, talvez já do século II. Numa grafite antiga foi encontrada a gravação XE MAPIA, abreviação de Chaîre Maria, a primeira Ave-Maria da história.

  1. São Paulo adverte-nos, na Carta aos Efésios, também de que a instalação deste telefone, deste fio de sentido, desta Palavra de graça é obra, não da PT, mas de Deus, que nos escolheu antes da criação do mundo (Efésios 1,4), e antes da criação do mundo nos fez filhos no seu Filho (Efésios 1,5).

  1. É esta comunicação de Graça, que de Deus chega a Maria, que a Igreja inteira, Ocidente e Oriente, hoje celebra. Sim, hoje todos os filhos e irmãos estamos unidos na mesma alegria, que de Deus chega a Maria, e de Maria a todos nós. Por isso, ela, a Mãe do Amor e da Graça, a Cheia de Graça, é a nossa Mãe e Padroeira, Padroeira também de Portugal e desta nossa Catedral.

  1. Por isso também nos reunimos hoje, aqui, em linha contigo, Maria, nossa Mãe e Padroeira e Protetora. Em linha com Deus, que olhou para nós, para mim e para ti, meu irmão e minha irmã, desde toda a eternidade. Sim, olhou para nós, com o seu olhar de Graça, e assim continua ainda hoje. Bendita Tu, Maria, e Bendito Deus.

  1. Esta celebração da Mãe de Deus e nossa Mãe e Padroeira Principal de Portugal é um desafio imenso para o homem «em fuga» deste tempo, que se esconde de si mesmo, que continua a esconder-se de Deus, e que pretende esconder Deus, retirando-o da via pública e da vida pública. Atravessamos verdadeiramente a «noite do mundo» (Weltnacht), diz Martin Heidegger, onde «Cada um está sozinho no coração da terra/ atravessado por um raio de sol:/ e é logo noite», como bem escreve o escritor italiano Salvatore Quasimodo. Homem deste tempo às escuras, engessado, triste, exilado, escondido, anestesiado, volta para a Luz, reentra em tua casa, no teu coração despedaçado. Há de seguramente por lá haver ainda, caída no fundo da alma, uma lágrima dorida e uma mão de Mãe à tua espera!

Senhora de dezembro,

Maria, minha Mãe,

Passa hoje o dia da tua Imaculada Conceição.

Senhora de dezembro,

Dos dias frios e frágeis,

Dos passos firmes e ágeis,

Do coração que velava

À espera de quem te amava.

Assim te entregaste a Deus,

De coração inteiro,

Como um tinteiro

Todo derramado numa página.

Tu és a mais bela página de Deus,

A Deus doada, apresentada, dedicada,

Mãe da vida consagrada,

Imaculada,

Ensina-me a tua tabuada,

A tua nova alegria,

A luz do Evangelho que te aquece e alumia.

Eu te saúdo, Maria,

Neste dia da tua Imaculada Conceição.

Ave-Maria.

Lamego, 08 de dezembro de 2014, Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria

+ António, vosso bispo e irmão

ENCONTRO DO PRÉ-SEMINÁRIO

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No fim de semana de 22 e 23 de Novembro decorreu o primeiro encontro do Pré-Seminário deste ano lectivo, para os jovens do 11º e 12º anos de escolaridade. Este encontro teve lugar no Seminário Maior de Lamego e nele participaram, o Ilídio, natural da paróquia de Pendilhe, Vila Nova de Paiva e o Rui, da Paróquia de Vila Nova Souto d’ El Rei, Lamego, que frequentam o Seminário Menor de Resende. Estavam inscritos mais dois jovens que, por determinadas razões, não puderam estar presentes.

O encontro começou no Sábado dia 22, com um tempo de reflexão, formação, partilha e testemunhos. Uma visita à igreja mais antiga da Diocese e das mais antigas da Península Ibérica, a “Igreja de S. Pedro do Balsemão”, que está muito relacionada com os primórdios da fundação da nossa Diocese. Neste lugar lemos e meditámos alguns textos do Evangelho que descrevem e apresentam o “sepulcro vazio”, a certeza da Ressurreição de Senhor, do anúncio do Evangelho até aos confins do mundo e da propagação da fé cristã. A seguir falou-se, em grupo e individualmente, sobre o questionamento e o discernimento vocacional. À noite houve tempo para o visionamento de um pequeno filme sobre a dignidade e a importância do sacerdócio ministerial desde os tempos dos Apóstolos, tendo como lema o convite de Jesus: “Vem e segue-Me”. Ao longo deste dia também houve oportunidade para o convívio com alguns seminaristas do Seminário Maior.

No Domingo, dia 23, reflectiu-se sobre a missão de cada baptizado (chamado) e dos diferentes ministérios ou serviços no âmbito da acção e missão da Igreja no mundo; a reflexão sobre este tema prolongou-se pela tarde, em que na Sé Catedral se celebrou a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, o Dia da Igreja Catedral, no decorrer da qual D. António Couto ordenou dois diáconos: o Fabrício e o Valentim. O próximo encontro de Pré-Seminário está marcado para o início do mês de Março. Para esse encontro apelamos, sobretudo, aos párocos que nos indiquem alguns jovens das suas paróquias, que possivelmente e livremente queiram fazer esta experiência de encontro de Pré-Seminário, conhecer o Seminário e possam vir a acolher a vocação ao sacerdócio.

 

Pe. Vasco Oliveira Pedrinho

Diretor do Departamento Diocesano da Pastoral Vocacional

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4291, ano 84/53, de 2 de dezembro de 2014

ANO DA VIDA CONSAGRADA

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Visibilidade e reconhecimento a um estilo de vida cristão

A Igreja Católica começou, no passado sábado, a assinalar o Ano da Vida Consagrada, convocado pelo Papa Francisco, com uma vigília de oração em Roma, sob a presidência do responsável pelo setor na Cúria Romana, cardeal João Braz de Aviz. A iniciativa decorre nos 50 anos da publicação do decreto do Concílio Vaticano II sobre a Vida Consagrada, ‘Perfectae caritatis’, e foi explicada aos religiosos de todo o mundo pelo próprio Papa, através de uma carta apostólica publicada na sexta-feira.

O cardeal brasileiro D. João Braz de Aviz referiu à Rádio Vaticano que Francisco convida os consagrados da Igreja Católica a reforçarem a sua identidade de “discípulos de Jesus”, voltando à intuição dos “fundadores e fundadoras” das ordens e congregações, “com os olhos abertos ao diálogo com o mundo”.

O presidente da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) encara a celebração do Ano da Vida Consagrada como uma hipótese dos consagrados e consagradas mostrarem à sociedade a força que continua a marcar a sua missão, mesmo no meio de muitos desafios e dificuldades.

De acordo com a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, da Santa Sé, a média de abandonos dentro das ordens religiosas e seculares é atualmente de 3 mil por ano. A falta de vocações, realça o padre Artur Teixeira, tem feito com que muitos olhem para a Vida Consagrada como uma “espécie” em “extinção” e deve sem dúvida “questionar profundamente” os religiosos e religiosas acerca da sua “fidelidade ao Evangelho”.

O padre David Sampaio, docente de História da Igreja na Universidade Católica Portuguesa, recorda, no dossier publicado na mais recente edição do Semanário ECCLESIA, que a Vida Consagrada é “uma forma de vida cristã que se reporta aos primeiros séculos do cristianismo”. Já o padre Manuel Morujão, jesuíta, refere na mesma publicação que “desde os começos da Igreja, houve homens e mulheres que, pela prática dos conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência, procuraram seguir mais de perto a Cristo no seu estilo original de vida”. A irmã Maria de Fátima Magalhães, da Companhia de Santa Teresa de Jesus, escreve por sua vez que a Vida Consagrada “será sempre um dom, uma ‘boa notícia’ para a Igreja e para o mundo. O bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, viu a sua vocação crescer dentro da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus, onde fez os primeiros votos e foi mais tarde ordenado sacerdote a 12 de junho de 1977. Para o prelado natural de Trás-os-Montes, “ser consagrado é a realização de uma vocação batismal” e também “uma opção pessoal, em resposta a um apelo que se sente como cristão”.

“A Vida Consagrada não é muito falada. Nós falamos com crianças e elas não sabem o que é, quando na realidade a consagração é uma presença fundamental para a Igreja”, sublinha à Agência ECCLESIA o padre Miguel Ribeiro, missionário espiritano de 37 anos, religioso desde 2006.

O Papa Francisco propôs que a Igreja Católica vivesse um tempo, até 2 de fevereiro de 2016, em que a ação dos consagrados, religiosos e leigos consagrados, estivesse no centro, dando testemunho, “com diferentes carismas e espiritualidades”, de um trabalho realizado em prol de “uma sociedade mais justa e fraterna”.

Leiga consagrada, pelo Instituto Secular das Cooperadoras da Família, Elizabete Puga reconhece que o serviço realizado por pessoas que “mantêm a sua profissão e estão inseridas na sociedade, vivendo os conselhos evangélicos de pobreza, castidade e obediência” causa estranheza.

Rosário Virgílio, presidente da CNISP (Conferência Nacional dos Institutos Seculares de Portugal), deseja que este ano “contribua para um maior conhecimento desta vocação”, a secularidade consagrada, e que se “deixe de identificar vida consagrada com a vida religiosa”.

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4291, ano 84/53, de 2 de dezembro de 2014

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10 MILHÕES DE ESTRELAS | UM GESTO PELA PAZ

Diapositivo1A Operação “10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz” é uma proposta da Cáritas. O desafio é simples: acender uma vela na noite de Natal e assumir o compromisso interior de viver a paz. A paz entre irmãos, vizinhos, colegas de trabalho. Que cada um possa viver este Natal como sinal de esperança, como luz para o mundo!

Esta operação teve a sua origem em Annecy (França) em 1984, durante o tempo do Advento. Em 1991, a campanha alastrou-se a toda a França e passou a desenrolar-se no período do Natal. Em 2002 a iniciativa inicia o seu percurso pelo mundo. No ano seguinte Portugal adere pela primeira vez.

A Cáritas Portuguesa, em parceria com todas as Cáritas Diocesanas de Portugal Continental, Madeira e Açores, organiza a Operação “10 Milhões de Estrelas – Um Gesto pela Paz” propondo também à sociedade uma vivência cristã da celebração do Natal. Contrariando uma visão meramente consumista, quer relembrar o seu verdadeiro sentido: a alegria do nascimento do Deus Menino, o Príncipe da Paz. Assim, a Cáritas desafia cada português a adquirir uma vela e a acendê-la em nome da paz que nos foi trazida nesta noite de Natal.

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As verbas que resultam desta campanha, revertem em 65% para as Cáritas Diocesanas, que a aplicarão em projectos destinados a apoiar as famílias portuguesas em situação de carência. Os restantes 35% serão entregues a um projeto internacional.

in VOZ DE LAMEGO, n.º 4291, ano 84/53, de 2 de dezembro de 2014