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Archive for 17/12/2014

Há um ano > D. António Couto: Introdução ao Evangelho de São Mateus

D. ANTÓNIO COUTO. Introdução ao Evangelho segundo Mateus. Paulus Editora. Lisboa 2014. 112 páginas.

Introdução_Mateus

Depois da publicação do “Quando Ele nos abre as Escrituras. Domingo Após Domingo. Uma leitura bíblica do Lecionário (Ano A)”, inteirinho dedicado à liturgia de Domingo, centrado essencialmente no Evangelho, cujo evangelista principal, de domingos e solenidades é são Mateus, eis agora mais uma preciosa ajuda para entender o Evangelho da Igreja, isto é, o Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus.

Com a seriedade com que nos habitou, com a profundidade que lhe reconhecemos, D. António faz-nos entrar DENTRO do texto do Evangelho mas também dentro da HISTÓRIA de Jesus Cristo, de uma forma muito, muito, acessível, simples e muito poética. Cada texto traz a sabedoria das Escrituras Sagradas, explicada, exemplificada, com ligações à história de Israel e à história da Salvação. Texto de Mateus mas ligado a outros textos e contextos.

Os grandes discursos de Mateus, diversos acontecimentos que nos “agrafam” a Jesus, levam-nos àquele tempo, ou melhor trazem Jesus até nós, pois que Ele caminha connosco, queiramos nós escutá-l’O e segui-l’O e ainda seremos poucos para a sua seara. Ele diz o Pai, como o Espírito Santo diz o Filho e o Pai, mas também nos diz a nós. Estamos lá à beirinha de Jesus, escutando, interrogando-o, hesitando, duvidando, caminhando, ansiosos, de olhares perdidos que Ele faz questão em encontrar.

O que surpreende sempre nos textos de D. António, para lá da vasta cultura bíblica, é a forma poética e ritmada de dizer, de explicar, de nos envolver nas belíssimas páginas do Evangelho, da Escritura Sagrada. Este é mais um extraordinário exemplo, como quem trabalha a prata e o ouro, ou quem de tosca pedra tira belas estátuas, ainda que aqui a imagem seja desajustada, pois a pérola é o próprio Evangelho. Mas é possível que a beleza do Evangelho se torne ainda mais transparente e acessível com este estudo de D. António. Vale a pena ler, meditar, deixar-nos guiar para dentro das páginas do livro e sobretudo fazer com que as páginas do Evangelho continue a escrever nas nossas vidas, dentro do coração de cada um.

Já recomendámos a leitura dos comentários da Liturgia do DOMINGO: AQUI. Do mesmo modo poderá seguir as reflexões de D. António através do seu blogue pessoal: Mesa de PalavrasAQUI. Embora possam ser textos próximos, o autor e as leituras são as mesmas, mas o blogue permite uma ou outra atualização, que aqui ou acolá mais nos conduz ao Evangelho de Jesus.

A Livraria Fundamentos também recomenda este belíssimo trabalho: AQUI.

Livro sugerido no blogue CARITAS IN VERITATE: Aqui

PERIGO DO “NIM” | Editorial Voz de Lamego | 16 de dezembro

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A poucos dias da celebração do Natal de Jesus Cristo, a edição desta semana transparece, desde logo, a luminosidade deste tempo, que se expressa nas imagens e nos textos, nos desejos e nos comentários. Desde logo, chamada de atenção para a MENSAGEM DE NATAL DE D. ANTÓNIO COUTO a abrir o Jornal, na primeira página.

Mas muitos outros motivos, entre notícias e as habituais reflexões, apresenta a edição do Jornal da Diocese de Lamego. Aqui fica, para ambientar, o Editorial:

PERIGO DO “NIM” 

Na caminhada para a celebração do Natal faz-nos companhia a figura de João Baptista, de quem continuamos a ouvir o convite para mudar, para crescer, para avançar. Anunciando a presença d’Aquele que salva e apontando para o baptismo no Espírito Santo, o precursor cumpre a sua missão.

As poucas linhas que os evangelhos lhe dedicam são suficientes para o visualizarmos na sua simplicidade, o ouvirmos em interpelações provocadoras, o acompanharmos até à prisão e ali testemunharmos a sua morte.

Apontando para a verdadeira Luz, com humildade, apresenta-se como testemunha d’Aquele a quem nem sequer é digno de “desatar a correia das sandálias”. E se é verdade que protagoniza uma “pastoral de estaca”, na medida em que espera que venham ter com ele, não deixa de ser referência pela responsabilidade com que assume a sua missão e eleva a voz para anunciar e denunciar.

A frontalidade diante da vida e a clareza nas respostas merecem destaque, não se escondendo em declarações dúbias ou em palavreado que pode significar tudo e também o seu contrário. O seu posicionamento não deixa dúvidas e a coerência acompanha-o. Com posturas claras e escolhas nem sempre fáceis, a sua coragem marca-nos.

O Apocalipse, último livro da Bíblia, tece duras críticas a todos quantos evitam compromissos, que nem são quentes nem frios, mas vencidos pela tentação do silêncio, da fuga e da facilidade.

A fé exige opções, não é neutra. Querer preservar-se do risco de escolher pode ser apenas sinónimo de comodismo e não de prudência. Eis as “pessoas nim”, que estão algures entre o não e o sim, incapazes de dizer e de dizer-se com clareza, humildade e verdade.

O Advento é também oportunidade para, com frontalidade, clarificar e assumir.

Pe. Joaquim Dionísio, in VOZ DE LAMEGO, n.º 4293, ano 84/55, de 16 de dezembro de 2014