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Homilia de D. António José da Rocha Couto no Dia da Igreja Catedral e Ordenação Diaconal

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DÍVIDA DE AMOR

Caríssimo Senhor D. Jacinto, meu irmão no episcopado,

Caríssimo Senhor Vigário geral,

Caríssimo Senhor Pró-Vigário Geral,

Caríssimo Senhor Reitor do Seminário,

Caríssimos Sacerdotes,

Caríssimos Eleitos para o Diaconado,

Caríssimos Seminaristas,

Caríssimos Irmãos e Irmãs

  1. Ainda agora comecei a homilia, mas, se estivestes atentos, já deveis estar espantados com esta ladainha de “caríssimos”. Já lá vamos. A nossa Diocese de Lamego vive hoje um excesso de celebrações, um excesso de celebração, que começo por recordar: a) a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo; b) o Dia desta Igreja Catedral; c) a ordenação de dois Diáconos, o Fabrício e o Valentim.
  1. Peço-vos a todos, caríssimos irmãos e irmãs, que estreitemos bem este nó celebrativo, para experimentarmos a alegria do Evangelho, traduzida no serviço humilde do amor que recebemos de Jesus Cristo, e que estamos sempre a dever uns aos outros. Dívida feliz que contraímos no dia do nosso Batismo, e que nunca chegaremos a pagar na totalidade. Pelo contrário, esta dívida de amor vai aumentando pela vida fora, conforme vamos conformando a nossa vida à forma de viver de Jesus Cristo. Na verdade, cada nova etapa da nossa vivência cristã aumenta a nossa dívida de amor. É assim (ou deve ser) na catequese, na profissão de Fé, no Sacramento do Crisma, no Matrimónio, mas também na Consagração Religiosa ou Secular, no Diaconado, Presbiterado, Episcopado. Sim, irmãos caríssimos, a nossa dívida de amor vai disparando sempre, de tal modo que nunca mais nos veremos livres dela. Estamos sempre em dívida de amor. O cristão verdadeiro tem de estar sempre endividado. E a ver esta dívida sempre a aumentar. E não pode declarar insolvência.
  1. O primeiro que olhou para nós, olhos nos olhos, e se endividou até aos ossos para comprar a nossa liberdade, foi Jesus Cristo, Senhor Nosso. São Paulo disse bem, na sua Primeira Carta ao Coríntios, que Ele nos comprou por alto preço (1 Coríntios 6,20; 7,23). Na verdade, teve de dar a sua vida toda por nós, para nos comprar. Somos, portanto, caríssimos, custamos um preço muito alto. O seu Reinado, que hoje celebramos juntamente com toda a Igreja, consiste nesta suprema atitude ou altitude do Amor que Jesus dedica a estes seus irmãos caríssimos.
  1. Passou, depois, como sabeis, caríssimos irmãos, esta dívida para nós, isto é, ensinou-nos a endividar-nos, gastando, como Ele, a vida toda por Amor. «Como Eu vos fiz, fazei vós também uns outros» (João 13,15). «Como Eu vos amei, amai-vos vós uns aos outros» (João 15,12 e 17). «Todas as vezes que fizestes isto (ou que o não fizestes) a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes (ou o deixastes de fazer)» (Mateus 25,40 e 45).
  1. Portanto, caríssimos irmãos, é preciso, precioso e urgente, que olhemos bem o rosto dos nossos irmãos e irmãs, que consideremos bem o altíssimo valor de cada um, e gastemos a nossa vida toda para os servir com a dignidade e a elevação, a Altura, que merecem. Só assim, seremos dignos súbditos deste Rei Novo e Manso.
  1. A presença entre nós, hoje, destes dois novos Diáconos ou Servidores do Evangelho da Alegria deve ajudar a avivar em nós a existência desta imensa dívida de Amor e de serviço humilde a todos e a cada um dos caríssimos irmãos e irmãs que Deus nos deu.
  1. E assim também, do coração ou do Altar ou do Ambão desta Igreja Catedral, cuja Dedicação hoje celebramos, podereis ver, caríssimos irmãos, que pode começar a surgir uma nascente de água viva. E vereis ainda que este fiozinho de água crescerá e alagará cada coração, cada rua, cada campo, cada casa, cada família, cada colina desta nossa Diocese de Lamego, fazendo brotar, por onde passa, vida nova em abundância. Sim, podeis beber e saciar-vos com esta água viva e salutar, fonte de saúde e de alegria. Não tem legionela. Tem amor. Abri todas portas a Jesus Cristo. Escancarai-as mesmo. Sem medo. O medo tolhe a nossa alegria. O medo rouba a nossa alegria. Fazei da Igreja de Lamego, caríssimos irmãos e irmãs, não uma cidade fortificada, mas uma cidade frutificada. Portanto, Ide e construí com mais amor a família de Deus. E que o Senhor Jesus Cristo reine sempre nos nossos corações. Ámen.

Lamego, 23 de Novembro, Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo,

Dia da Igreja Catedral e de Ordenações Diaconais.

+ António, vosso bispo e irmão

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