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CRER E PERTENCER | Editorial Voz de Lamego | 28 de outubro 2014

VL - 28 de outubro

Em vésperas da Solenidade de Todos os Santos e da Comemoração dos Fiéis Defuntos, com a visita aos cemitérios, o Jornal da Diocese, Voz de Lamego, traz à primeira página o tema da Santidade, como desafio, como caminho, para que a pessoa possa ser livre e responsável no mundo em que vive.

Para lá do tema principal, a última edição de outubro dá nota de notícias da região e da Igreja, com reflexões variadas, mas que no essencial nos envolve no compromisso com os outros e com o mundo, respiram fé e vida e escolhas e caminhos, apontam para os outros, para Deus e para Jesus Cristo, ajudam a alargar os horizontes da nossa mente e do nosso coração e da nossa militância cristã.

Saliente-se como informações: as matrículas de EMRC nas escolas da Diocese; a exposição sobre o Cancro que decorreu no Museu Diocesano de Lamego; o Conselho Diocesano do Movimento da Mensagem de Fátima (MMF); a Feira da Maça, em Armamar; a recolha de alimentos, pela Cruz Vermelha de Lamego; o 6.º Festival Gastronomia e Vinhos do Douro; a semana do Papa Francisco, com as diversas intervenções e mesnagens.

Para já, e como habitualmente, o ambiente da Voz de Lamego, com o Editorial:

CRER E PERTENCER

Há alguns anos, uma socióloga francesa, caracterizando a religiosidade do homem moderno, descrevia-o como um peregrino. Não no sentido que habitualmente damos a este termo – o estar a caminho de um espaço sagrado – mas entendendo esta peregrinação como caminhada errante, por entre os meandros das diferentes propostas que compõem o campo religioso.

No nosso ocidente, passada que está a hegemonia da “Cristandade”, quantas vezes nos chegam relatos de gente que vai deambulando em busca da novidade entre propostas diversas e que afirmam estar no caminho certo a cada nova adesão ou descoberta? Quantas vezes o percurso feito e a construção pessoal do “edifício da fé” não resulta de diferentes contributos que se apropriam de acordo com sensibilidades e circunstâncias?

Mas encontramos também quem se declare sem religião, embora afirme ter fé. Uma situação cada vez mais frequente e que o estudo da UCP sobre a religiosidade dos portugueses contabilizou. Sem negarem a fé num ser supremo, confessando sede de transcendência e de espiritualidade, cultivam uma autonomia que se traduz numa não pertença à religião institucionalizada.

No caso cristão, crer sem pertencer é sinónimo de não compromisso com a Igreja, assembleia convocada e reunida para celebrar, guardar e transmitir; é querer apresentar-se como crente, mas dispensando-se de formar um corpo. Por outro lado, pertencer sem acreditar e professar o depósito da fé é “estar por lá” sem ter consciência do que diz e celebra.

A missão eclesial de hoje e de sempre, assumida com fidelidade ao Senhor e concretizada com esforço pelas paróquias, grupos ou movimentos visa formar e educar na fé os que pelo Baptismo já pertencem, bem como manter a porta aberta, convidar, acolher e ajudar caminhar todos os que, como na Atenas de Paulo, crêem no Deus desconhecido.

Pe. Joaquim Dionísio, VOZ DE LAMEGO, 28 de outubro de 2014, n.º 4286, ano 84/48