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ESPIRITUALIDADE LAICA | Editorial Voz de Lamego | 9 de setembro

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A cidade de Lamego respira ainda as Festas de Nossa Senhora dos Remédios. O Jornal Diocesano faz eco da Romaria de Portugal, com o contexto da festa, novena barraquinhas, trânsito, programa diversificado, e inclui a HOMILIA DE D. ANTÓNIO COUTO na Eucaristia da festa, no Santuário de Nossa Senhora dos Remédios. Acompanham os textos, algumas imagens bem ilustrativas desta Romaria em honra de Nossa Senhora, dia em que a Igreja celebra a Sua Natividade.

Mas o jornal traz muitos outros motivos de interesse, notícias, reflexão, eventos passados e futuros. Sugestão de cânticos para a Eucaristia do próximo domingo e pistas de reflexão para a homilia; a agenda episcopal; os 50o anos do foral concelhio de Magueija; a Romaria de Santa Eufémia de Penedono (e claro de Pinheiros -Tabuaço). Habitual também notícias sobre a região, o país e o mundo, e sobre a vida da Igreja, mormente as diversas intervenções do Papa Francisco ao logo da última semana.

Para melhor ambientar nada como iniciar com o Editorial desta semana:

Espiritualidade laica

O título faz referência a uma das expressões que se vai lendo ou ouvindo, quando se trata de abordar a presença da religião na sociedade actual ou, mais concretamente, sobre o fim da instituição religiosa e o abandono da transcendência.

Se há algumas dezenas de anos a maioria da população julgava a relação com um Deus transcendente uma realidade necessária à vida e à sua realização, hoje fala-se e pratica-se mais aquilo a que chamam uma “espiritualidade laica”. Ou seja, há uma consciência de que a vida humana é mais do que uma existência à espera da morte, que o homem é mais que um corpo que se mostra, que a sociedade precisa de encontrar pontos de equilíbrio, porque “não vale tudo”, mas não se admite a existência de Deus nem se adopta a busca de uma imortalidade para orientar um agir.

O essencial é o vivido e experimentado, uma procura de harmonia e realização sem qualquer referência dogmática ou moral. À nossa volta proliferam propostas no domínio da ajuda psicológica, do bem-estar corporal e mental onde a fé e a dimensão religiosa estão ausentes.

Falar de uma “espiritualidade laica” significa querer defender alguns valores, mas livres da fé. Um dos filósofos anunciadores de tal postura é o francês Luc Ferry, antigo Ministro da Cultura daquele país. Para ele, a espiritualidade do nosso tempo deve estar ligada à conquista de uma vida mais plena e realizada entre iguais. Não se trata apenas de pretender uma espiritualidade sem Deus; é necessária uma espiritualidade laica, protagonizando uma vida boa e uma visão do mundo comum a ser construído por todos. A força para fazer isso – segundo ele – está no poder do amor, na sacralização do humano pelo amor.

Pe. Joaquim Dionísio, VOZ DE LAMEGO, 9 de setembro de 2014, n.º 4279, ano 84/41