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Bodas de Prata Sacerdotais | Pe. LEONEL CLARO, comboniano

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Reflexão pelo jubileu de prata sacerdotal | Penude 24 de agosto de 2014.

 

25 anos de sacerdócio. É muito e ao mesmo tempo é tão pouco. Uma parte da minha reflexão por esta data já está publicada na folha dominical. Não a vou repetir. Podeis lê-la tranquilamente em casa.

Quero simplesmente partilhar convosco um pequeno resumo, pelo menos alguns aspectos, do que foram estes 25 anos de consagração presbiteral.

Foram certamente 25 anos de Fé:

Humanamente, para ser padre é necessário uma boa dose de maluqueira, temperado com algum espírito de aventura; mas sobretudo carradas de fé e confiança no autor da vida, da vocação e da missão. Porque uma consagração religiosa só sobrevive, permanece, pela e na fé. Fé que não estou só; que eu sou mero gestor dos dons e das tarefas que me são confiadas; fé que mesmo quando nada se passa como programamos, pensamos ou desejamos, o Senhor faz germinar vida. Fé nas pessoas com quem trabalho e para quem trabalho, os jovens sobretudo; fé quando tanta gente à minha volta não acredita no trabalho que me foi confiado e procuro realizar com alegria e entusiasmo.

Foram 25 anos de juventude:

Todos os meus anos em Portugal foram dedicados, aos adolescentes e aos jovens. Claro que houve muitos outros momentos, com adultos, crianças; mas a maior parte, as melhores energias, a melhor dedicação foram sobretudo para os adolescentes do seminário combonianos em família, em Famalicão e agora para os jovens do Fé e Missão, do JIM e outros. Isso, creio, ajudou-me a manter um espírito desperto, mesmo se por vezes o físico prega algumas partidas.

Foram 25 Anos de encontros

Quantas crianças, adolescentes, jovens tenho encontrado em escolas, paróquias, grupos e movimentos. Com eles encontram-se os pais e familiares, os amigos; depois os párocos de inúmeras paróquias frequentadas, onde rezei, celebrei, caminhei,… e assim por diante. A vida é feita de encontros, e a minha vida está repleta deles, o que a faz mais rica e plena.

Foram 25 anos de missão:

Missão em Portugal, na procura de novos caminhos de encontro, de pastoral, de acompanhamento vocacional juvenil. Semanas de voluntariado, de missão, de evangelização; Páscoas missionárias ajudando padres com 5 e 6 paróquias; marchas pela paz no mundo; concertos; retiros;…

Missão no Chade durante 10 anos fantásticos de privação, sofrimento, mas de imensa alegria e felicidade num espaço onde os baptizados não chegavam a 4 por cento. Uma Igreja viva a construir de raiz, formada de pessoas pobres e generosas, sedentas de Deus, de aprender, de aproveitar a vida, o pouco de vida que por vezes conseguiam a muito custo;

Fazer causa comum com pessoas que, humanamente, pouco têm, mas que estão sempre de coração e braços abertos para serem mais, nos aproximar mais de Deus.

Foram 25 anos de enamoramento e paixão:

25 anos a ser e a fazer o que gosto. Nunca me levantei de manhã contrariado, porque o que iria fazer durante o dia não era do meu gosto. É uma bênção poder dizer que me tem sido permitido trabalhar, como padre e missionário, em espaços e âmbitos que me dão gozo. Não quer dizer, sem dificuldade, não! Também não quer dizer que não há, por vezes, experiências falhadas! Mas a paixão, a entrega é tanta que Deus, transforma tudo isso em bênçãos e frutos para mim e para a sua igreja. É a paixão da doação, do serviço, da confiança de que o que vivemos e fazemos tem sentido e dá sentido para a vida de muitos.

Foram 25 anos de procura inacabada

Os espaços onde vivi, as actividades que tenho realizado, os combonianos com quem tenho trabalhado, não têm permitido que fique parado no tempo, estagnado nas dinâmicas, perro no zelo e murcho no entusiasmo. Cada dia, cada ano é uma procura constante de melhores caminhos, pistas alternativas, conteúdos e dinâmicas, adaptados às novas realidades e circunstâncias. Tem sido um tempo de construção e desconstrução contínuo. Por isso o caminho nunca chega ao fim, há sempre algo mais e melhor a alcançar. Por vezes é difícil de vislumbrar, é preciso muita fé, coragem e trabalho. Mas ficar parado nunca. Sempre à procura de novas coisas, maneiras, pessoas, actividades…

Foram 25 anos de caminho com Jesus Cristo

Quantas vezes ouvi, e continuo a ouvir frases como esta: eu admiro-vos muito, mas eu não seria capaz de ser como vós, os missionários. Eu também não, respondo eu! Claro que não! Eu é que não sou parvo (como diz a publicidade)! Eu também não seria capaz, sem Jesus de Nazaré. Eu também não seria capaz se não fosse a certeza de que é ele o centro de tudo.

Muitas vezes me disseram no Chade: padre, vieste para cá, mas não trazes dinheiro para nós, não trazes comida, nem roupa nem medicamentos para nós! O que vieste cá fazer? Pois, realmente, o que vim cá fazer!?

A minha resposta só poderia ser uma: eu estou aqui por Jesus Cristo. Porque há alguém que conhece a vossa situação, que vos ama e me enviou para o meio de vós, para ser sinal do seu amor. Para saberdes que há pelo menos uma pessoa que não vos abandona, e que me enviou para que eu seja no meio de vós, sinal do seu amor. Então, se quiserdes, podemos fazer um caminho, juntos, podeis conhecer essa pessoa.

E foram também 25 anos de muitas outras coisas

Música, com a banda missio; desporto, amizades, novos conhecimentos. Vejo realizar-se a palavra de Jesus no evangelho: quem deixar pai, mãe, irmãos, casa, terras,… por minha causa, receberá já neste mundo 100 vezes mais, juntamente com perseguições, e ainda a vida eterna.

É o que espero continuar a fazer nos próximos 25 anos, ou pelo menos nos que o Senhor me conceder. Oxalá, Inch’ala, como dizem os meus irmãos chadianos, que a bênção de Deus nunca me abandone, e eu tenha a capacidade e a disponibilidade de me deixar conduzir por ele.

Bendigamos ao Senhor.

in VOZ DE LAMEGO, 2 de setembro de 2014, n.º 4278, ano 84/40

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