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Archive for 04/08/2014

Bodas de Prata Sacerdotais | Pe. ANICETO MORGADO

945785_497722513629534_1884207298_nEm 2014, celebram as Bodas de Prata Sacerdotais: Pe. Aniceto da Costa Morgado; Pe. António de Oliveira Madureira Loureiro; Pe. João António Pinheiro Teixeira; Pe. José Augusto de Almeida Marques. O Jornal da Diocese, Voz de Lamego, teve a oportunidade acolher o testemunho de alguns deles. Neste interregno da Voz de Lamego, aqui fica os testemunhos já recolhidos, ao jeito de entrevista ou ou jeito de testemunho/testamento espiritual.

PADRE ANICETO DA COSTA MORGADO

Como foram vividos estes 25 anos de missão?

A primeira sensação é que estes 25 anos passaram muito depressa, pois ainda tenho bem fresco na memória aquele momento em que estava prostrado diante do altar da Sé catedral e, na presença do bispo ordenante (D.António) , do presbitério e da assembleia celebrante, dava o meu sim generoso a Cristo. Mas fazendo uma retrospectiva deste tempo vivido, sinto que muitas coisas aconteceram; recordo lugares, pessoas, vivências que me marcaram e ajudaram a ser aquilo que hoje sou. Recordo o inicio do meu ministério ao serviço da diocese do Algarve, durante dois anos, como formador no Seminário de Faro e o bom acolhimento que senti por parte do senhor D.Manuel Madureira Dias, natural da nossa diocese (Tarouquela) e de todo o seu presbitério; o trabalho no pré-seminário e a ajuda nas paróquias de Vila Real de Santo António e Olhão. Depois a experiência de um ano com os nossos emigrantes em França, vivendo e partilhando os seus problemas e dificuldades; o regresso ao nosso país e à vida paroquial por terras de Cinfães (Oliveira, Bustelo, Ramires, Ferreiros, Travanca, Fornelos ) traz-me ao pensamento e ao coração, muitas alegrias e também alguns sofrimentos, mas tenho a consciência que dei o melhor de mim e reconheço que por meu intermédio muitas bênçãos e graças foram semeadas. Como pároco de Travanca e Fornelos ainda leccionei EMRC na escola EB 2-3 de Souselo permitindo-me assim um maior contacto com os adolescentes e jovens daquele espaço pastoral. Depois fui chamado para fazer parte da equipa formadora do nosso Seminário Maior e acompanhei os seminaristas que frequentavam o IST-DB (Viseu). Procurei aproveitar este tempo para me valorizar e actualizar frequentando a UCP-Porto onde conclui o mestrado em Ética Social Cristã. Desde 2005 resido no Santuário de Nossa Senhora da Lapa e tenho ao meu cuidado as seguintes comunidades: Arnas, Cunha, Tabosa e Ponte do Abade (Concelho de Sernancelhe). No meu coração sinto uma grande alegria e gratidão ao Senhor porque me deu força e coragem para ultrapassar horas amargas e momentos de solidão. Tantas vezes medito nas palavras de São Paulo que eu escolhi como lema do meu sacerdócio: “Tudo posso n´Aquele que me dá força” (Fil 4,13). Também não posso esquecer que a devoção e o amor que me incutiram a Nossa Senhora, na família e no Seminário, tem sido uma âncora segura no meu ministério sacerdotal. Como Maria, também me apetece cantar “ a minha glorifica o Senhor” (Lc 1, 46).

Olhando para diante, que desafios se colocam hoje ao sacerdote e à Diocese/ Igreja?

Os desafios são muitos e de variada ordem. Desde logo, o ambiente social, cultural e religioso sofreu uma transformação radical que exige de nós uma actualização permanente para respondermos de forma adequada aos problemas que se nos colocam. O número de sacerdotes tem diminuído o que implica mais trabalho, menos tempo para o encontro e a partilha, mais desgaste físico. Por outro lado as nossas comunidades, essencialmente rurais, estão a perder muita população: há poucas crianças, em algumas paróquias já não há crianças em idade de catequese, os jovens emigram, temos sobretudo pessoas idosas; há necessidade de reestruturar a pastoral paroquial, mas corre- -se o risco de não haver compreensão porque das pessoas que estavam habituadas a outras formas de vivência da fé e custa-lhes aceitar a mudança. Julgo que a solução é apostar na formação dos leigos e fazer- -lhes sentir a responsabilidade como igreja que somos. Teremos de invocar o Espírito Santo para que nos inspire as melhores soluções, pois por vezes não sabemos qual o melhor caminho a seguir.

Edição Voz de Lamego, de 27 de maio de 2014, n.º 4266