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À conversa com José Fonseca Soares | Novo Sacerdote a 6 de julho

No próximo domingo, o presbitério da nossa Diocese ganha um novo membro, com a ordenação sacerdotal do Diácono José Fonseca Soares. Natural do arciprestado de Lamego, da paróquia de S. João Batista de Avões, entrou já depois dos trinta anos no Seminário Maior de Lamego, onde frequentou o respectivo curso no Instituto Superior Douro e Beiras, em Viseu, e na Faculdade de Teologia da Universidade Católica, em Braga. Ordenado Diácono em novembro último, na Solenidade de Cristo Rei do Universo e Dia da Igreja Diocesana, viveu o seu estágio diaconal nas paróquias de Nossa Senhora da Piedade de Queimadela (Armamar), S. João Batista de Figueira e São Martinho de Valdigem (Lamego), sob orientação do respectivo pároco, Cón. José Manuel Pereira Melo. Ao longo desse período residiu no Seminário Maior, redigindo também o seu trabalho académico final, que entregou há poucos dias. Encontra-se, nestes dias, em retiro em Avessadas.

A nossa diocese dá graças ao Senhor da Messe por esta vida e esta vocação, ao mesmo tempo que reza pedindo ao nosso Deus que abençoe e acompanhe sempre este novo sacerdote na sua missão.

Pode ler na íntegra a entrevista feita pela voz de Lamego ao Diácono José Fonseca Soares:

À CONVERSA COM… Diácono José Fonseca Soares

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Para os nossos leitores, quem é o Diác. José Soares?

É uma pergunta que nunca pensei, nem nunca fiz a mim próprio esta pergunta. Mas vou tentar. Sou um homem comum, simples que sorri e chora como qualquer outro, de um coração humano, que bate no peito de um homem. Um pecador, a quem o Senhor chamou para a sua Messe. A máxima que sempre esteve comigo foi esta: “Onde está teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mt 6,21). E é também  o meu lema sacerdotal.Este texto é para mim o fundamento da perseverança na fé de qualquer cristão e de num modo particular para alguém que decide consagrar-se inteiramente a Deus como sacerdote. Espero, com a graça de Deus, fazer dele uma referência, uma “regra de vida”, que norteará o meu ministério. Creio que este texto  se poderiamos dizer, um termómetro para percebermos onde está o centro da nossa atenção, da nossa vida. Se descuidarmos dele corremos o risco de correr em vão, como diz S.Paulo. (Gl 3,4).

Como tem sido o teu estágio pastoral?

Tem sido bastante profícuo. Muito enriquecedor e muito intenso, com muito dinamismo. Foi uma boa experiência; o estar todos os dias com as pessoas, falar com elas, numa relação de respeitabilidade, de carinho que nutrem sempre com alguém de novo que vai trabalhar para a paróquia… E claro que aprendi pastoralmente, com o orientador Sr. Con. José Melo que sempre me auxiliou em tudo o que talvez teria mais dificuldades.

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O tempo do Seminário chegou ao fim, mas não o tempo da formação. Como pensas manter esse ritmo?

O tempo de formação vai prosseguir, e a Igreja tem sempre essa preocupação de recomendar aos sacerdotes para que cuidem da formação. Embora não saiba o que me espera no futuro. Para já, graças a Deus, entreguei a minha tese, que irei apresentar e defender em breve. Com a ajuda de Deus, superei esta etapa.

A partir da experiência entretanto conseguida, como vês a formação recebida no Seminário e na faculdade de Teologia?

Eu diria assim: eu vejo os dois num só: a base fundamental para um melhor crescimento santo e sábio de um sacerdote.

O teu trabalho académico final versou sobre o último Sínodo dos Bispos. Como responder, entre nós, ao desafio da nova evangelização?

Os tempos que estamos a atravessar são delicados e árduos, as mudanças contínuas e rápidas; porém, não podemos estacionar nas análises das causas que nos levaram à situação atual.Há tanta gente que vive uma grave crise de valores e perdeu as referências espirituais e espera de nós agentes pastorais uma presença tangível de Deus, de amor, que vão à procura da “ovelha perdida” [Lc 15,3-7] com obras e gestos, “tocando a carne sofredora de Cristo no povo” ; “o cheiro da ovelha perdida”. Com diz o Santo Padre na Exortação Evangelii Gaudium 24, que foi a base primordial do meu trabalho. Eu acho que hoje, as pessoas colocaram Deus de parte. Já não faz parte da vida delas…

Perante todas estas dificuldades, é preciso despertar, interpelar os homens e as mulheres de hoje, para oferecermos uma proposta, saindo de uma “Quaresma sem Páscoa” e dizer às pessoas, como o Anjo disse aos pastores, em Belém: “Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo” [Lc 2,10].

O grito do Senhor, Duc in Altum, que reacendeu com Santo João Paulo II no início do segundo milénio deve ressoar na nossa oração e nos nossos sonhos.

Uma palavra para os nossos seminaristas e aos que estão a pensar entrar no seminário?

Aos seminaristas diria para que sejam perseverantes na fé, que sejam persistentes na oração e nos estudos. E que nunca caiam em desânimo, Ele está sempre connosco. Aos que pensam entrar, recordo as palavras do nosso querido Santo João Paulo II : «Não tenhais medo, de seguir a Cristo, Ele não tira nada, Ele dá tudo».

Como vão ser estes dias até à ordenação?

Vão ser dias de muita reflexão de interioridade, de ansiedade e acima de tudo de muita oração e meditação. Está a aproximar-se o retiro, que para mim é o ápice antes do grande dia da ordenação.

in Voz de Lamego, 1 de julho de 2014, n.º 4271

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