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Cursilhos de Cristandade: 50 anos em Lamego

Rui Araújo, Eng. Cursistas  In Voz de Lamego, 08.04.2014

 Entrevista ao Eng. Rui Araújo, Presidente do Movimento Diocesano dos Cursilhos de Cristandade

 A Diocese de Lamego assinalará, em 2014, os 50 anos do primeiro Cursilho de Cristandade realizado entre nós. Este movimento eclesial é bem conhecido e está presente em muitas das nossas paróquias, através da vida e testemunho de quantos viverem a experiência de um curso de cristandade.

Em termos simples, o que caracteriza este movimento eclesial?

Antes de mais é um movimento de serviço à diocese. É pois, um movimento ao serviço do próximo. Sumariamente caracteriza-se pela realização de um retiro espiritual, denominado Cursilho de Cristandade, com a duração de três dias, no qual a pessoa experimenta um reencontro profícuo com Cristo. Nos próximos dias 24, 25, 26 e 27 de Abril, iremos realizar um cursilho de homens em Resende, comemorativo dos 50 anos, acompanhado de uma Ultreia Diocesana.

Em que condições surgiram os cursilhos e com que objectivos?

Os cursilhos surgiram em Palma de Maiorca, em 1944, nos anos seguintes à Guerra Civil Espanhola, durante uma peregrinação a São Tiago de Compostela da Acção Católica. O fundador foi Eduardo Bonín, na altura com 27 anos juntamente com os seus companheiros que, conscientes dos ambientes descristianizados, tiveram a coragem de dar um grito de alerta, para que a juventude acordasse e levassem ao mundo e à igreja a força e a alegria do Evangelho, à semelhança do que São Paulo tinha feito no seu tempo.

E como foi a sua entrada em Portugal e, já agora, em Lamego?

A implantação do movimento em Portugal realizou-se em 1959. O primeiro cursilho realizou-se em Fátima em 1960. Desde a implantação, realizaram-se mais de cinco mil cursilhos, com cerca de 150 mil participantes.

A Diocese de Lamego, desde cedo aderiu ao movimento, através duma parceria com a diocese de Portalegre / Castelo Branco e Viseu.

O primeiro cursilho foi de Homens e teve lugar nas Caldas de Aregos, Resende, entre 29 de Abril e 2 de Maio de 1964, seguido de cursilho de Senhoras no mesmo local entre 18 e 21 de Novembro de 1964.

Até à data, realizaram-se 93 cursilhos, com cerca de 3100 participantes.

Os centros mais activos são os de: Moimenta da Beira, Lamego, Resende, Sernancelhe e Cinfães.

Indissociáveis da fundação dos cursilhos em Lamego contam-se: o Sr. D. António José Rafael (Bispo Emérito de Bragança-Miranda), o Sr. D. António Francisco dos Santos (actual Bispo do Porto), o Sr. D. Jacinto Botelho (Bispo Emérito de Lamego), Dr. Fernando Amaral, Dr. Santos Monteiro, Senhor Henrique Eira e o saudoso Senhor Alberto Vieira Gomes, que recentemente nos deixou. Outros leigos e sacerdotes, no seu anonimáto, tiveram e têm testemunhos e dádivas, no movimento pela sua perseverança e diligente acompanhamento.

A evangelização, que é sempre nova, conta com os cursilhos. Como se caracteriza essa participação?

Os pilares do movimento são o trinómio: estudo, a piedade e a acção (“o tripé”).

O nosso lema para o triénio 2012-2015 é: Evangelização, Testemunho e Inclusão.

Os cursilhos de Cristandade, participam na evangelização através de três momentos: (1) a realização de um retiro e o acompanhamento dos grupos de Cristandade; (2) a percepção e convite de novas pessoas, tendo em vista o bem estar geracional, assim como, a renovação das gerações – cerca de 70% dos cursilhistas tem idade compreendida entre 65 e 80 anos e 8% idade até 45 anos; (3) A partilha em reuniões quinzenais, denominadas ultreias, que serve a consolidação dos valores.

O testemunho gerado, por acção do Espírito Santo através das experiências descritas é a chave da consolidação da acção do cursilhista. Actualmente os cursilhistas da Diocese prestam esse testemunho, nas paroquias – catequese, ministro da comunhão, acólito -, na actividade profissional, na visita e acompanhamento de doentes, conselhos económicos, conselhos pastorais, grupos de liturgia, entre outros.

Para mais informações podem consultar o nosso site na internet: cursilhosdelamego.net

Os cursilhos realizam-se, separadamente, para homens e mulheres. Porquê?

A separação dos géneros é uma decisão ponderada, quer ao nível nacional, quer ao nível diocesano. Por isso, não é uma posição conservadora ou retrógrada. Estamos convictos de que a acção evangélica se potencia desta forma, desde logo, porque não existem constrangimentos de ordem familiar, ou de género (todos sabemos que as diferenças de género têm em vista a complementaridade).

A comprovar esta realidade, temos que: 55% dos participantes são homens, 41% senhoras e 4% sacerdotes.

Como se vive o pós-cursilho? Que caminho é proposto aos que o vivem?

O pós-cursilho consiste na realização de reuniões denominadas de Ultreias, que promovem a meditação de diversos temas actuais, baseados sobretudo na riqueza do evangelho, das encíclicas papais e no testemunho individual.

Nestas reuniões, debatemos abertamente, temas como o casamento, o aborto, o divórcio, o consumismo, a responsabilidade social, o testemunho dos santos, a solidariedade, a família, o encontro ecuménico, de entre outros.

Desta forma, reforçamos os valores cristãos, em que acreditámos.

Enquanto baptizado, com responsabilidades a vários níveis, como vê a nossa realidade local, social e eclesialmente?

Ao nível diocesano, creio que social e eclesialmente é necessário continuar um processo de aproximação entre os cristãos, baseados em primeira instância nos valores humanos e universais da Igreja Católica. Esta aproximação deverá ser alcançada, tendo em consideração a promoção a dignidade da pessoa, a subsidiaridade exigente e uma solidariedade fundada em Cristo, multiplicadora de confiança, de bem-estar, e de sentido do Outro.

Penso que esta aproximação, deverá ter em conta a multiplicidade dos carismas dos movimentos e deve contar com o envolvimento activo dos sacerdotes.

Na dimensão social, a minha opinião pessoal, é de que também é necessário e urgente, realizar uma articulação efectiva ao nível institucional. A evangelização só pode ser conseguida através da existência de laços entre as pessoas, que por sua vez, são elas próprias o inicio e o fim das instituições e das empresas. Atendendo à situação económica e financeira actual, ao nível diocesano (território que abrange catorze concelhos), concretamente à emigração, ao desemprego e ao envelhecimento populacional – geradores de instabilidade – creio que a evangelização é necessária e urgente.

Ainda que tendo consciência de que, a caridade é uma virtude superior à justiça, creio que se a primeira não for ao encontro das necessidades concretas das pessoas, se não se revestir de exigência e critério em diagnosticar, em controlar e em actuar, podemos fragilizar o testemunho e consequentemente a credibilidade.

O respeito pelas diferenças de credo e de opinião, deverão ser respeitadas, em ordem, a multiplicar ou somar acções e comportamentos, que promovam a solidariedade.

Termino esta entrevista, agradecendo a oportunidade de promover e divulgar os Cursilhos de Cristandade, acreditando, que o testemunho cristão, encontra aqui, um meio de consolidação real.

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