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Conselhos Pastorais

In Voz de Lamego, 2014.01.14

A Igreja não existe para si mesma, para realizar um projecto por si elaborado. A sua missão primeira é ser “sacramento de Cristo” no mundo e, por isso, sinal e servidora do desejo de amor de Deus pelos homens. A noção de Igreja-sacramento representa um dos eixos maiores do ensinamento do II Concílio do Vaticano.

A Igreja toda, colectivamente e em cada um dos seus membros, é “sinal” do que Deus cumpre no mundo. Sacramento de Cristo, sinal e instrumento de salvação, a Igreja é-o através do seu ser e de toda a sua vida, em tudo o que faz aparecer a originalidade cristã: as instituições, mas também, e sobretudo, as pessoas. Só Cristo é fonte de salvação; a Igreja é apenas o “sacramento”.

Todos os baptizados são testemunhas e servidores do amor de Deus. Isto significa que todos os baptizados são chamados a ser e a tornarem-se sempre mais “testemunhas e servidores” do desejo de amor de Deus pelos homens. Todo o serviço eclesial é, à sua maneira, manifestação e revelação da presença de Deus no coração do mundo.

Retomando o que afirmou o último Concílio, na Constituição sobre a Igreja (Lumen gentium), no n.º 31, o Código de Direito Canónico declara que “Fiéis são aqueles que, por terem sido incorporados em Cristo pelo baptismo, foram constituídos em povo de Deus e por esse motivo se tornaram a seu modo participantes do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo e, segundo a sua própria condição, são chamados a exercer a missão que Deus confiou à Igreja para esta realizar no mundo” (c. 204, 1).

– O baptismo habilita todos os cristãos a participar na missão sacerdotal de Cristo, a fazer das suas vidas, com Cristo, uma oferenda e um louvor ao Pai. Nada é indiferente aos olhos do Senhor. A função sacerdotal exerce-se de maneira eminente na acção litúrgica e sacramental, para culminar na celebração eucarística, onde todos os cristãos são actores.

– A função profética convida todo o baptizado a tornar-se servidor da Palavra de Deus, através do seu testemunho de vida e das suas palavras. Este serviço assume formas diferentes, desde a educação familiar à pregação, da catequese ao ensinamento teológico, do compromisso apostólico ao testemunho evangélico.

– Jesus uniu para sempre os dois mandamentos de adoração ao Pai e do serviço ao próximo. Não podemos estar unidos pela Palavra e mantermo-nos à distância dos irmãos. O cristão não tem apenas a missão de rezar pela “vinda do Reino”, mas incumbe-lhe também trabalhar pela sua vinda: “reino de vida e de verdade, reino de graça e de santidade, reino de justiça, de amor e de paz” (prefácio de Cristo Rei). Tal é a função real.

Esta base sacramental exige ser alargada aos dois outros sacramentos de iniciação cristã. O sacramento da confirmação, dom do Espírito Santo, apela ainda mais vigorosamente ao testemunho de Cristo e do Evangelho. A confirmação é uma graça do Pentecostes e torna-nos mais directamente responsáveis pela vida e pela missão da Igreja. A eucaristia, “fonte e cume da evangelização” (PO 5) orienta-se para a construção da Igreja e para a sua missão apostólica.

Eis o que fundamenta sacramentalmente a corresponsabilidade de todos os cristãos. Eis a razão por que os sacramentos de iniciação cristã constituem o fundamento sacramental dos diferentes serviços, tarefas eclesiais, ministérios instituídos.

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